JBS oferece US 1,2 bilhão para retomar controle da Pilgrims Pride
JBS aumenta proposta financeira com ações negociáveis buscando retomar controle da Pilgrims Pride após anos sem sucesso.
A gigante carnívora brasileira jura retomar a disputa pelo controle total da Pilgrims Pride cinco anos após duas tentativas fracassadas.
Desta vez, contudo, o movimento de aquisição é diferente e conta com uma ferramenta estratégica que não existia em 2021: ações negociáveis nos Estados Unidos usadas como moeda para financiar fusões ou outras grandes operações (MA). Segundo os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual — banco ligado ao grupo controlador da EXAME —, essa mudança na estrutura financeira torna esta nova investida mais viável para consolidar a participação acionária no país americano.
O novo valor proposto comparações históricas
Na quarta – feira, dia [dia] de agosto, JBS apresentou uma proposta não vinculante visando comprar cerca dos 18% das ações que ainda estão sob controle minoritário em PPC.
A empresa propõe trocar duas vezes e seis oitenta e seis (2,086) ações classe A da própria júnior por cada ação detida pela Pilgrims Pride. No fechamento do último dia útil anterior à negociação — 18 de agosto —, essa relação equivalia a US 28,49 por cotação individualmente; valor este sem prêmio sobre as cotas atuais e avaliando os interesses majoritários nos aproximadamente 1,2 bilhão dólares.
Essa cifra remete diretamente ao primeiro movimento que JBS fez para comprar esses minoritários em agosto de 2021. Naquela época, o pagamento foi feito integralmente com dinheiro (cash), mas dois valores foram rejeitados pelo comitê independente da companhia americana: inicialmente US,50, por ação; três meses depois, a oferta subiu para US\ **28**,**5-0**. Ambos os montantes falharam porque não refletiam adequadamente valor total do negócio.
A mudança na forma e no potencial financeiro
O BTG Pactual aponta que o ponto crucial de melhoria está em duas frentes. Primeiro, ajustando pelos dividendos pagos pela Pilgrims desde 2021 até hoje, um pagamento hipotético de US,50, como ocorreu antes, equivaleria a aproximadamente US\**24**,**15**. Comparado ao montante atual proposto (de 28,49), essa nova oferta representa uma valorização cerca de 18% superior.
A segunda e mais estratégica diferença reside na forma do dinheiro: se o plano anterior era pagar em espécie ou ações com valores defasados no tempo. Agora JBS pretende entregar suas próprias cotas aos minoritários da PPC. Essa estrutura societária adotada por conta da listagem nos Estados Unidos permite que ela utilize as ações como moeda sem alterar drasticamente seu controle acionário principal — segundo os analistas —, tornando a consolidação materialmente muito menos complexa comparado ao cenário vivido há cinco anos.
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Impactos estratégicos para ambas empresas
Para concretizar essa aquisição, seria necessário emitir cerca de 89 milhões de ações classe A (aproximadamente do total). Com isso em mente, o poder econômico dos controladores cairia ligeiramente: passando de 50.2% para 46,3%. O percentual de voto recuaria apenas um pouco mais — de 85,7% para 83, %.
Na prática, a JBS conseguiria financiar uma operação estimada em US\1,2 bilhão e ainda manter cerca de do poder decisório da companhia americana. Considerando que o grupo já detém aproximadamente 82% das ações PPC, os analistas veem na aquisição integral não só um “desfecho natural” como também reduzindo drasticamente qualquer chance real de surgir algum comprador concorrente no mercado.
Embora essa movimentação possa elevar marginalmente o lucro por ação (EPS) da própria júnior — apenas, passando para R 6,36 —, a principal expectativa do BTG Pactual reside justamente nos resultados futuros e potencial recuperação dos negócios em ambos os grupos.