Jamaica solicita reparações históricas após caso Zong

Jamaica formaliza pedido urgente de reparação histórica após escândalo Zong que expõe crimes da era colonial.

01/07/2026 20:43

4 min

Mulheres trabalhando em uma plantação de cana-de-açúcar na Jamaica
Mulheres trabalhando em uma plantação de cana-de-açúcar na Jamai...

A Jamaica apresentará uma petição formal no dia 6 de setembro para solicitar reparações históricas pela escravidão ocorrida na ex – colônia britânica.

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O governo jamaicano, por meio da ministra Olivia Grange — responsável pelos setores Cultura, Gênero, Entretenimento e Esporte —, buscará que o monarca do Reino Unido encaminhe um parecer jurídico ao Conselho Privado, última instância recursal do país sobre os danos causados pelo tráfico transatlântico ilegal de africanos.

A iniciativa foi anunciada durante discurso realizado no parlamento local.

Os três pontos centrais das reivindicações legais

A petição visa questionar a legalidade histórica dos atos escravistas perante sistemas jurídicos modernos. O documento solicitará uma manifestação específica em relação aos princípios da common law adotados no Reino Unido — se houve violação por parte do transporte forçado e pela própria condição de cativeiro na Jamaica.

Além disso, será avaliado o status internacional desse período: é crime contra a humanidade que manter pessoas de ascendência africana sob regime de escravismo até 1838? Por fim, os jamaicanos exigem um parecer sobre qual seria a obrigação real do próprio Reino Unido em reparar todos esses danos causados pelo tráfico compulsório e pelos seus efeitos duradouros nas comunidades locais.

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Memória histórica como motor da justiça reparatória

A escolha dessa data não foi aleatória; ela remete ao dia 6 de setembro de 1781, quando o navio negreiro Zong deixou a África Ocidental com destino à Jamaica transportando exatamente 442 africanos cativos.

O episódio histórico é marcado por tragédia: durante sua viagem no mar aberto, problemas levaram um capitão a lançar pessoas diretamente em alto – mar para tentar reivindicar seguro sobre carga viva — resultando na morte trágica de cerca de 140 indivíduos. A embarcação só chegou e atracou oficialmente no porto Black River somente em 21 de dezembro do mesmo ano.

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A busca pela justiça continua.“Erguemos hoje o monumento aos africanos assassinados aqui em Black River”, observou Grange ao falar da homenagem feita onde Zong aportara. “Curiosamente, quando devastaram esta cidade depois disso tudo, foi este único memorial que permaneceu inteiro; como se fosse um lembrete constante sobre nosso dever coletivo buscar a reparação completa.”

Grange reforçou ainda que essa petição será apresentada formalmente na qualidade de Chefe de Estado jamaicano e por quem espera proteção do monarca britânico nesse processo legal complexo.

Apoio internacional fortalece movimento

O pleito não é apenas nacional: ele conta com o apoio ativo da Comunidade do Caribe (Caricom). A ministra também fez questão de lembrar os desequilíbrios históricos, apontando que após a emancipação em 1834, enquanto proprietários receberam indenizações pela perda das suas “propriedades”, as pessoas libertadas foram forçadas a prestar anos adicionais de trabalho gratuito aos antigos senhores.

“Os africanos recém – emancipados tiveram que pagar literalmente pelos seus próprios escravizadores ao trabalhar gratuitamente paraos donos dos plantações,” detalhou Grange.

Neste contexto global crescente por direitos humanos e justiça social, o movimento ganhou força internacionalmente: no dia 25 de março deste ano (referência do texto fonte), foi aprovada na Organização das Nações Unidas (ONU) uma resolução apresentada pela Gana declarando tanto o tráfico quanto a própria condição da escravidão racializada como um crime mais grave contra a humanidade. Segundo Olivia Grange, enquanto Jamaica e os demais países Caricom apoiaram essa declaração em bloco, todos os países europeus se abstiveram votacionalmente sobre ela. A presidente do Conselho Nacional de Reparações jamaicano, Laleta Davis Mattis, classificou este ato jurídico como “um marco significativo” nesta longa jornada por justiça reparatória.

O vice – presidente deste conselho, Bert Samuels, explicou que esse pedido ganhou ainda mais força após aprovação na ONU. Ele acrescentou uma mensagem forte ao final: “Aprendemos com própria luta pela liberdade algo quase inalcançável quando éramos escravizados… Se o Conselho Privado disser ‘não’, então iremos às ruas.”

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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