Itália suspende parte de Schengen por pressão migratória na UE
A Itália anunciou nesta sexta-feira (31) a suspensão de parte do Acordo de Schengen, em meio à crise migratória no enclave espanhol de Ceuta.
O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, justificou o movimento dizendo que é uma medida “necessária para proteger a segurança dos cidadãos italianos e defender as fronteiras da Europa”.
Reações europeias à crise em Ceuta
Além da Itália, outros países membros do bloco reagiram negativamente ao aumento na pressão nas fronteiras. Dinamarca, Finlândia, República Tcheca e Suécia pediram formalmente a suspensão temporária dos direitos da Espanha no Espaço Schengen.
A zona de livre circulação reúne 29 países, entre eles Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suíça e todos os membros da União Europeia, exceto Chipre e Irlanda. Pelo acordo, os países aboliram o controle de passaportes nas fronteiras internas e adotam uma política comum de vistos.
Contextualizando o fluxo migratório
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, pediu unidade aos países da União Europeia. Ele fez um apelo aos integrantes da União Europeia pedindo manter a unidade do bloco: “Este não é o momento de criar mais divisões”, declarou ele nesta sexta.
A atual situação na Espanha representa seu maior pico imigratório desde 2021. Naquele ano, cerca de 10 mil imigrantes entraram ilegalmente em Ceuta depois que o Marrocos afrouxou o controle da fronteira.
Fatores políticos
O afrouxamento ocorreu depois que a Espanha recebeu Brahim Ghali, líder da Frente Polisário, movimento que luta pela independência do Saara Ocidental com apoio da Argélia e é rival do Marrocos.
A crise diplomática entre Madri e Rabat foi superada em 2022. Na ocasião, o governo espanhol abandonou a neutralidade sobre o tema e apoiou o plano de autonomia para o território proposto pelo Marrocos.
Impacto legal na fronteira
O fluxo migratório desta semana se intensificou depois de uma visita recente de Sánchez à Argélia. Outra decisão que influencia a tensão veio da Justiça espanhola, que determinou que imigrantes resgatados no mar dentro do enclave não podem ser devolvidos imediatamente às autoridades marroquinas. Com isso, as autoridades precisam analisar cada caso individualmente, sem devoluções em massa ao país vizinho.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
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