Israel anuncia plano de assentamentos na Cisjordânia que pode inviabilizar Estado palestino

A construção de novos assentamentos na Cisjordânia gera preocupações sobre a viabilidade do Estado palestino e intensifica as tensões na região.

21/08/2026 01:21

3 min

O governo de Israel anunciou um polêmico plano de assentamentos na Cisjordânia ocupada, que gerou condenações em todo o mundo e pode inviabilizar a criação de um Estado palestino. O edital publicado pelo Ministério da Habitação convoca licitantes para a construção de mais de 1.200 unidades habitacionais na área E 1, próxima a Jerusalém.

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A proposta visa estabelecer um bloco contínuo de assentamentos judaicos entre Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, o que dividira o território em duas partes e separaria Jerusalém Oriental – considerada a capital do futuro Estado palestino– do restante da região.

As propostas para a construção devem ser apresentadas até o final de outubro. A organização israelense Peace Now, que monitora os assentamentos, criticou a medida, afirmando que se trata de uma “manobra de última hora” do governo, que busca perpetuar anos de conflito e derramamento de sangue.

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Histórico das construções em E1

Historicamente, Israel tem evitado planejar ou construir na área E 1 devido à pressão internacional. No entanto, sob a liderança do atual governo, houve um aumento significativo na aprovação de assentamentos na Cisjordânia, mesmo diante das sanções impostas por países ocidentais contra indivíduos envolvidos no movimento colonial.

No mês passado, países como Canadá, Austrália e Alemanha já haviam alertado empresas sobre as consequências legais e reputacionais ao se envolverem com assentamentos na Cisjordânia. Recentemente, líderes da França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Noruega e Holanda reiteraram esses avisos em uma declaração conjunta.

“Em um momento de grave instabilidade na Cisjordânia, com níveis sem precedentes de violência contra civis e restrições severas à economia palestina, essa decisão é ainda mais preocupante”, afirmaram os líderes europeus.

Reações internacionais

A aprovação final do plano E 1 ocorreu no ano passado. O ministro das Finanças israelense Bezalel Smotrich declarou que o “Estado palestino está sendo apagado da mesa de negociações”. Para ele, essa não é apenas uma retórica vazia; são ações concretas.

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O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, classificou os novos planos como “inaceitáveis e destrutivos” e ameaçou com sanções caso as construções avancem. Ele enfatizou que “o Reino Unido não ficará parado enquanto isso acontece”.

Em resposta às críticas britânicas, Gideon Saar, ministro das Relações Exteriores de Israel, considerou absurdo que o Reino Unido desse lições sobre onde os judeus podem viver em sua terra histórica.

A comunidade internacional considera todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ilegais sob a legislação internacional. Apesar disso, colonos conseguiram estabelecer vários postos avançados não autorizados nos últimos anos com a anuência do governo israelense.

Condenação palestina e egípcia

Riyad Mansour, embaixador palestino nas Nações Unidas, denunciou a decisão israelense como “extremamente perigosa” e pediu sua interrupção. Em entrevista à CNN, ele ressaltou: “Isso precisa ser interrompido”. O governo egípcio também se manifestou contra as novas licitações israelenses.

Em comunicado oficial, expressou total rejeição às tentativas de consolidar mudanças ilegais no status jurídico da Palestina.

A nota egípcia reafirmou que tais ações minam as chances para uma solução pacífica baseada na criação de dois Estados. A situação continua tensa enquanto as reações internacionais se intensificam diante dos avanços nos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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