Isis Medeiros expõe impactos da mineração no Vale do Jequitinonha

Exposição expõe devastação causada pela mineração no Vale do Jequitinonha e seus impactos nas populações locais.

01/07/2026 11:26

3 min

Mostra “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” retrata impactos da mineração no Vale do Jequitinhonha (MG)
Mostra “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” retrata impactos da m...

A documentarista mineira Isis Medeiros leva ao Rio de Janeiro sua exposição fotográfica “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó”, um trabalho que expõe os impactos da mineração no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

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O projeto chega à capital carioca na próxima quinta – feira, dia 2º e permanecerá exibido até novembro nas dependências do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCPIphan), localizado no Catete, zona sul.

A mostra é composta por fotografia documental, audiovisual e pesquisa sobre a vida nos territórios impactados pela exploração econômica dos recursos naturais.

A luta contra os impactos da mineração

Isis Medeiros dedicou dois anos ao trabalho permanente com foco em Araçuaí e Itinga — municípios que fazem parte dos 54 locais atingidos pelo ciclo mineral na região. Sua trajetória profissional já inclui investigações de violações ambientais graves; ela também foi autora do livro dedicado aos crimes provocados pelo rompimento da barragem Samarco Vale – BHP ocorrido em Mariana (MG), no ano de 2015.

O acervo conta ainda peças retiradas diretamente das comunidades, pois o Vale do Jequitinhonha possui forte representação cultural junto ao Museu de Folclore Edison Carneiro. Isso permite conectar os saberes tradicionais com a dimensão documental e crítica apresentada pela artista.

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Mineração: entre transição energética global e custos locais

Segundo Medeiros, é fundamental que se discuta mais sobre como funciona essa corrida por minérios estratégicos na chamada “transição energética”.

Ela aponta um descompasso evidente no debate público:

“Enquanto países classificados como Norte Global buscam reduzir suas emissões em carbono ou ampliar o uso de tecnologias consideradas limpas, as consequências da extração recaem majoritariamente nos territórios do Sul Global. As comunidades convivem com a perda constante de água potável, poeira suspensa, adoecimento físico – mental, conflitos sociais profundos e transformações drásticas dos seus modos tradicionais de vida”, explica.

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A disputa por recursos estratégicos

O Brasil ocupa uma posição central nessa geopolítica mineral: atualmente é classificado no 6º lugar mundial quanto às reservas de lítio— um material crucial para baterias elétricas veiculares e outras tecnologias avançadas. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) confirma que grande parte das terras raras brasileiras está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

“As pessoas geralmente conhecem apenas o produto final desse processo – os celulares ou carros elétricos –, mas raramente vemos a realidade dos territórios onde esses minerais são extraídos”, afirma Medeiros ao falar sobre a importância da exposição. A mostra não busca dar respostas prontas; pelo contrário, ela propõe uma reflexão profunda: de quem será feita essa transição energética? Que tipo de desenvolvimento queremos construir para as próximas gerações? Detalhes do evento no Rio

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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