Irã rebate Catar e chama minuta de “ideias inaceitáveis”, sem flexibilidade na questão nuclear

Minuta catariana prevê cronograma de sete dias com medidas de confiança e fiadores, mas Washington e Teerã seguem em desacordo sobre a ordem das exigências.

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Bandeira do Irã | Foto: Getty Images

Mediadores do Catar entregaram ao Irã uma nova minuta de acordo para encerrar a guerra contra os Estados Unidos e Israel, segundo uma autoridade a par das negociações. Do lado iraniano, porém, um alto funcionário afirmou que Doha apresentou apenas ideias inaceitáveis, longe de uma proposta concreta.

A fonte, que não é iraniana, disse que o documento foi apresentado no domingo (25) e segue em análise em Teerã, com resposta esperada até o final da semana. O conflito já dura oito meses e atingiu o transporte marítimo e o abastecimento de petróleo.

Teerã avalia minuta e critica proposta do Catar

Segundo a fonte, o plano catariano prevê um cronograma de sete dias que tenta atender às preocupações do Irã e dos EUA. Cada lado adotaria medidas diárias de construção de confiança, e vários países funcionariam como fiadores do entendimento. O cronograma poderia começar no início da próxima semana.

Pouco depois, um alto funcionário iraniano envolvido nas conversas rebateu a versão. Ele disse que o Catar trouxe “ideias inaceitáveis, e não uma proposta”, e reforçou que Teerã não vai demonstrar flexibilidade na questão nuclear.

Washington quer que o programa nuclear iraniano, em vigor há décadas, entre na mesa desde o começo das negociações. O Irã, por sua vez, exige que primeiro sejam atendidas suas condições, entre elas o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e a suspensão das sanções às exportações de petróleo.

O país nega que seu programa nuclear tenha fins militares.

Ataque à refinaria saudita pressiona preço do petróleo

No final de setembro, o Irã propôs um plano de sete dias. Conforme afirmou o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das passagens mais estratégicas para o transporte de energia no mundo, poderia acontecer se determinadas condições fossem cumpridas.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, recusou a ideia, e o Catar voltou a mediar.

A minuta discutida em Teerã no domingo (25) é diferente da proposta anterior, afirmou a mesma autoridade, embora ainda não se saiba os detalhes do novo texto. Ela também disse à agência Reuters que os mediadores catarianos alinharam os passos com Washington antes de viajar à capital iraniana.

Tentativas anteriores chegaram a produzir um acordo de paz provisório em junho, mas ele foi desfeito rapidamente. Nas últimas semanas, os rebeldes houthis do Iêmen, aliados de Teerã, intensificaram ataques contra a Arábia Saudita, aliada fundamental dos EUA e maior exportadora de petróleo bruto do mundo. Na quarta-feira (28), após um ataque houthi à Ras Tanura, maior refinaria saudita, o petróleo subiu mais de 1% e passou de 115 dólares por barril.

Os combates com os houthis também avançaram no mês passado, com o grupo avançando contra forças apoiadas pela Arábia Saudita em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, outra importante rota de navegação, situada do lado oposto da Península Arábica em relação a Ormuz.

Temor de novos ataques antes da reunião em Teerã

Antes da reunião de domingo (25), segundo a autoridade, havia receio de que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que disputa um novo mandato em eleições gerais, retomasse os ataques contra a República Islâmica ainda naquela semana. Na sexta-feira (23), Trump voltou a ameaçar atacar o Irã, e autoridades de segurança iranianas disseram à Reuters que Teerã preparou planos detalhados para atingir cabos submarinos no Golfo caso EUA e Israel reiniciassem as ofensivas.

Na segunda-feira (26), altos representantes da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão se reuniram com autoridades iranianas em Teerã para tentar reduzir a tensão. Na terça-feira (27), o Catar afirmou que o Irã precisa parar de ameaçar os Estados árabes do Golfo e liberar o Estreito de Ormuz para que a mediação avance.

A guerra também reacendeu os confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo armado libanês apoiado pelo Irã. Enquanto isso, a queda na aprovação de Trump se soma ao cenário às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, que vão definir o controle do Congresso.

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