Irã reitera que não fará concessões nas negociações com os EUA

Irã endurece posição e condiciona reabertura do Estreito de Ormuz ao cumprimento de sete exigências, enquanto novo ataque a navio-tanque eleva tensão na região.

Tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz

O governo do Irã voltou a afirmar que não vai recuar das exigências impostas para que o Estreito de Ormuz seja reaberto. O impasse com os Estados Unidos se arrasta, e a rota vital para o transporte de petróleo segue fechada. A posição foi reafirmada pelo principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo porta – voz da chancelaria, Ismael Baghaei, em meio a novos incidentes na região.

Segundo Ghalibaf, a reabertura só ocorrerá quando as sete condições estabelecidas pelo Irã forem integralmente atendidas. As exigências estão baseadas no Memorando de Entendimento de Islamabad, um documento que serve de referência para as negociações.

A declaração foi feita logo depois que um navio – tanque foi atingido por um projétil na via, o terceiro incidente do tipo registrado nos últimos dias, de acordo com a UKMTO (Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido). A tripulação está em segurança, e os danos ficaram concentrados na casa de máquinas.

Condições e impasse diplomático

Baghaei listou as medidas que o Irã considera necessárias para restaurar a segurança no estreito. Entre elas, o fim da interferência no transporte marítimo comercial iraniano, a suspensão de todas as sanções unilaterais impostas recentemente pelos EUA e o fim da intervenção militar na região. “A posição da República Islâmica do Irã é totalmente clara e firme”, afirmou Ghalibaf, em declarações divulgadas pela agência semioficial Fars.

Do lado americano, o presidente Donald Trump teria sinalizado, na última segunda – feira (28), disposição para aliviar sanções e liberar fundos congelados como parte de um acordo final. A informação foi divulgada por uma autoridade dos EUA à CNN.

A condição, no entanto, era que Teerã apresentasse “progresso concreto” na questão nuclear. Horas depois, o próprio Trump negou ter oferecido qualquer tipo de concessão.

Ghalibaf reagiu diretamente a essa movimentação. “Os EUA devem entender que a era de ganhar tempo e ditar exigências unilaterais acabou”, disse. Ele afirmou que o Irã está “totalmente engajado no campo de batalha militar” e que vai confrontar o inimigo com “novas surpresas”, ao mesmo tempo em que usa a diplomacia para consolidar sua vantagem.

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Mediação do Catar e recusa iraniana

O Catar atua como mediador nas conversas entre as partes. Segundo Baghaei, o Irã já enviou “respostas claras às propostas dos EUA por meio do mediador do Catar em Doha”. Na prática, Teerã rejeitou o que classificou como uma tentativa de Washington de direcionar as negociações exclusivamente para o programa nuclear iraniano, ignorando as demais exigências.

Enquanto isso, a situação no Estreito de Ormuz segue tensa. O ataque ao navio – tanque, cujo nome não foi divulgado, é o mais recente de uma série de incidentes que elevam o risco para a navegação na região. A UKMTO monitora a situação e já registrou ao menos três ocorrências em poucos dias.

A via é estratégica para o fluxo global de petróleo, e qualquer interrupção prolongada tem potencial para impactar os preços internacionais.