Irã pode “prolongar guerra” até Trump deixar presidência, afirma assessor da Guarda Revolucionária
Irã busca prolongar o conflito com os EUA como estratégia de dissuasão, enquanto avalia a vulnerabilidade das forças americanas.
Um assessor de alto escalão da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Mohammad Reza Naqdi, sugeriu que o país poderia “prolongar” a guerra com os Estados Unidos até que Donald Trump deixasse a presidência. Em uma entrevista transmitida pela PBS na última terça – feira (11), Naqdi afirmou: “Precisamos alcançar a dissuasão para que o inimigo nunca ouse nos atacar, para que possamos viver em segurança.” Ele ainda mencionou que essa estratégia incluiria causar desgaste ao adversário.
Naqdi, que atuou como vice – coordenador da Guarda de 2019 a 2025, ocupa atualmente uma posição de assessor sênior do comandante da organização. Apesar de ter menos autoridade direta, ele mantém acesso à liderança. Questionado sobre se o Irã está no controle da guerra, respondeu: “Certamente, a vitória está do nosso lado.” Ele criticou Washington, chamando suas ações de uma “guerra sem estratégia”, alegando que os EUA mudam seus objetivos com frequência.
A evolução do conflito
Na entrevista, o assessor destacou que a duração do conflito tem proporcionado ao Irã experiência militar valiosa. “A cada dois ou três dias, eles anunciam um novo objetivo”, disse Naqdi. Ele acredita que os Estados Unidos são mais vulneráveis do que imaginavam e ressaltou que as forças armadas americanas são mais fracas do que pensavam.
Sobre as operações no Estreito de Ormuz, ele comentou que navios fora do controle iraniano poderiam estar transportando suprimentos para os inimigos. Naqdi também afirmou que o Irã produz mais mísseis do que utiliza diariamente e insinuou que o país se tornaria ainda mais perigoso caso esgotasse suas reservas. “Se chegar o dia em que o Irã não tiver mais mísseis, aí sim seremos ainda mais perigosos para os Estados Unidos”, completou.
O início da guerra
A guerra teve seu marco inicial em 28 de fevereiro, quando Donald Trump anunciou um ataque “de grande escala” ao Irã. O presidente americano declarou que o principal objetivo era “defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano”, citando especificamente o programa nuclear iraniano como um dos principais pontos de tensão nas negociações.
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel resultaram na morte do então líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e causaram milhares de mortes e danos significativos a patrimônios culturais no país. Em resposta, Teerã lançou ataques retaliatórios pelo Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma rota vital por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Antes do início das hostilidades, o governo Trump já havia realizado um ataque significativo na região — o maior desde a invasão do Iraque em 2003 — levantando preocupações sobre uma escalada da violência regional. Apesar das conversas entre enviados dos EUA e representantes iranianos sobre um potencial novo acordo nuclear, essas tentativas falharam em prevenir uma ação militar decisiva.
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O início da guerra também se deu em meio a protestos massivos no Irã contra o regime, impulsionados por descontentamento econômico devido ao aumento acelerado dos custos.