Irã conquista vantagem estratégica em conflito com EUA e Israel, diz especialista da PUC-Rio

Irã Obtém Vantagem Estratégica em Conflito com EUA e Israel
O Irã, apesar de enfrentar significativas perdas operacionais, conseguiu estabelecer uma vantagem estratégica no conflito contra os Estados Unidos e Israel, conforme declarou o professor de Relações Internacionais da PUC-Rio, Carlos Frederico Coelho, em entrevista ao WW Especial.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
No primeiro mês de guerra, as forças americanas e israelenses realizaram aproximadamente 13 mil ataques a alvos militares. Os danos, segundo estimativas iniciais do regime dos Aiatolás, superam os US$ 270 bilhões, afetando a capacidade de resposta das forças iranianas, tanto pela destruição de equipamentos quanto pela eliminação de líderes importantes.
Desde o início dos bombardeios, no final de fevereiro, o chefe do Conselho Supremo de Segurança, Ali Larijani, e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib, foram alvos de ataques dos governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. No entanto, as lideranças restantes no Irã conseguiram coordenar respostas táticas e manter o regime teocrático em funcionamento.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Além disso, parte da infraestrutura de mísseis e drones do país sobreviveu à ofensiva americana.
Impactos Econômicos e Estratégias do Irã
Coelho ressaltou que, no caso do Irã, os ataques aéreos não têm o poder de mudar regimes e que a eliminação da liderança não necessariamente resulta em um cenário mais estável. Ao longo do conflito, o Irã optou por causar danos à economia global e aos aliados dos EUA e Israel no Oriente Médio como parte de sua estratégia.
Leia também
Nos últimos meses, o país bloqueou a passagem do Estreito de Ormuz, colocando minas na região e atacando infraestruturas de nações como Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Essas ações elevaram o preço do petróleo para mais de US$ 110, gerando uma nova onda de incerteza na economia global. Nos Estados Unidos, o preço da gasolina ultrapassou os US$ 4 pela primeira vez desde 2022. Por outro lado, os iranianos têm utilizado equipamentos de baixo custo e fácil montagem.
Coelho observou que, pela primeira vez, “o custo é menor” não para quem ataca, mas para quem se defende. “O Irã tem conseguido, por meio da massificação de drones e similares, resistir. E, do ponto de vista estratégico, pode ser considerado, apesar de derrotado operacionalmente, vitorioso até o momento”, concluiu.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



