Inflação mais fraca não chega ao supermercado: comida em casa sobe 1,01% no IPCA-15

Tomate (24,54%), cebola e batata lideram a pressão na cesta, enquanto o índice geral desacelerou de 0,70% para 0,32% em outubro, segundo o IBGE.

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Alimentos sobem no IPCA-15

Os preços dos alimentos consumidos em casa subiram 1,01% em outubro, contra 0,38% em setembro, segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na sexta-feira (23). O tomate liderou as altas, com avanço de 24,54%.

A aceleração na comida contrasta com o índice geral, que desacelerou de 0,70% em setembro para 0,32% em outubro. Na prática, a inflação mais fraca não chegou ao carrinho do supermercado, e a pressão ficou concentrada em itens da cesta alimentar.

Tomate, cebola e batata puxam a alta

O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,88% no mês e respondeu por 0,19 ponto percentual da inflação total de 0,32%. Dentro da alimentação no domicílio, depois do tomate vieram a cebola, com alta de 13,63%, e a batata-inglesa, que subiu 10,96%.

O arroz também ficou mais caro, com aumento de 5,80%. A cenoura foi na direção contrária e caiu 10,67%.

Legumes sobem 18% no varejo, aponta Neogrid

Um levantamento da Neogrid, que acompanha as compras no varejo, mostra movimento parecido. Em setembro, os legumes ficaram 18% mais caros, depois de recuarem 16,9% em agosto. Foi a maior alta entre os grupos analisados pela empresa.

De dezembro de 2025 a setembro de 2026, os legumes acumulam aumento de 32,8%. Em seguida aparecem o feijão, com 29,7%, e o leite UHT, com 29,4%.

Só em setembro, o arroz subiu 6,4%. Os ovos ficaram 4,5% mais caros, e a carne bovina avançou 3,6%.

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Sudeste tem a maior alta dos legumes

As variações não foram iguais pelo país. No Sudeste, os legumes subiram cerca de 24% em setembro, segundo a Neogrid. O Sul teve alta de 23,5%, e o Centro-Oeste, de 22,5%. Nordeste e Norte registraram aumentos menores, de 13,8% e 7,7%, respectivamente.

Com o arroz, o padrão se repetiu: alta de 8,5% no Sudeste, 6,6% no Sul, 5% no Centro-Oeste e 4,5% no Nordeste. No Norte, a variação foi de apenas 0,4%.

A carne suína teve um dos movimentos mais extremos, com salto de 30,2% no Norte e queda de 12,5% no Centro-Oeste. Já o óleo de cozinha subiu em todas as regiões, com alta nacional de 3%.

Por que os dois levantamentos não se comparam diretamente

Os números reforçam a volatilidade dos preços dos alimentos, mas a comparação pede cautela. O IPCA-15 mede a variação de uma cesta de consumo das famílias, e a edição de outubro considera preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro.

A Neogrid analisa as variações no varejo em setembro com base em notas fiscais de compras. Além do período e da metodologia diferentes, as categorias nem sempre são equivalentes, por isso os dados ajudam a contextualizar o varejo, mas não explicam diretamente o resultado do IPCA-15.

Segundo a empresa, o levantamento considera preços, marcas, volumes vendidos e presença dos produtos nos pontos de venda, a partir de mais de 40 milhões de notas fiscais por mês no Brasil.

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