Indústria quer ampliar vigilância contra café fraudado e criar gôndola certificada

APAS estima que 10% dos cafés vendidos no varejo ainda precisam de análise e certificação, enquanto a Abic amplia o monitoramento de lotes em 2026.

11/09/2026 11:12

3 min

Pela primeira vez, em São Paulo, o Seminário “Defesa do consumidor de café: o papel das entidades públicas e privadas” reuniu representantes da indústria, do varejo e de órgãos públicos para discutir os desafios relacionados à qualidade, à segurança e ao combate às fraudes no mercado de café.
Pela primeira vez, em São Paulo, o Seminário “Defesa do consumid...

A indústria brasileira de café quer ampliar o controle sobre produtos impuros ou fraudados vendidos no varejo e aumentar a presença de cafés certificados nas prateleiras dos supermercados. Entre as medidas discutidas estão o monitoramento de lotes em diferentes regiões do país e a criação de uma “gôndola certificada”, com produtos que tenham selo de qualidade.

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A proposta foi debatida no Seminário “Defesa do consumidor de café: o papel das entidades públicas e privadas”, realizado pela primeira vez em São Paulo. O evento está na terceira edição e reuniu representantes da indústria, do varejo e de órgãos públicos para tratar de qualidade, segurança e combate às fraudes no mercado de café.

Certificação pode ganhar espaço nos supermercados

Segundo a APAS (Associação Paulista de Supermercados), cerca de 10% dos cafés comercializados no varejo ainda precisam avançar no processo de análise e certificação. Para a entidade, a maior adesão dos supermercados aos selos poderia criar uma barreira adicional contra a entrada de produtos irregulares no mercado.

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Uma das propostas da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) é estreitar a integração com o varejo. A ideia é que a certificação seja considerada também na organização das prateleiras, e não fique restrita a uma informação impressa na embalagem.

Na avaliação de indústria e varejo, os selos de qualidade já colocam o café à frente de segmentos como hortifrúti e carnes na organização do setor. Ainda assim, há espaço para ampliar o uso da certificação na seleção dos produtos oferecidos aos consumidores.

Abic monitora lotes em todo o país

O presidente da Abic, Pavel Cardoso, afirmou que a entidade vem mapeando lotes comercializados em todo o país. O próximo passo é ampliar esse alcance, inclusive por meio de avanços regulatórios, para elevar a participação de cafés certificados no mercado.

Atualmente, a associação realiza cerca de 5 mil análises de lotes por ano. Desde 1979, quando iniciou o trabalho de monitoramento e certificação, foram aproximadamente 170 mil análises.

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O volume comercializado ajuda a dimensionar o desafio. Segundo Erlon Ortega, da Apas (Associação Paulista de Supermercados), o varejo vende cerca de 80 mil toneladas por ano de café tradicional em pacotes de 500 gramas.

Fiscalização ainda é fragmentada

Para a Abic, a estrutura pública de fiscalização é uma das dificuldades enfrentadas pelo setor. A entidade avalia que a divisão dos processos entre diferentes órgãos pode reduzir a eficiência do monitoramento.

Em alguns casos, marcas ou lotes suspeitos são coletados, mas as análises e as informações ficam distribuídas entre estruturas distintas de fiscalização. Com isso, as coletas podem não ser aproveitadas de forma integrada para acelerar a identificação e a retirada de produtos irregulares.

Também preocupa o intervalo entre a descoberta de uma irregularidade e a aplicação de sanções. A indústria defende maior integração entre coleta, análise e fiscalização, além de uma estrutura pública mais coordenada e uma resposta mais rápida para ampliar o cerco.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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