Marrocos deve enviar 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes e cobrir 76% do déficit brasileiro

O Marrocos deverá formalizar, durante uma viagem a Rabat no início da próxima semana, um compromisso de fornecimento “seguro” ao Brasil. O acordo ocorre em meio às guerras da Ucrânia e do Oriente Médio, que reduziram a oferta de fertilizantes no mercado internacional.
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O país africano deve se comprometer a enviar 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados. O volume corresponde a 76% do déficit de 5 milhões de toneladas projetado pelo governo brasileiro para a safra 2026/2027, e a expectativa é de que os embarques comecem imediatamente.
Brasil busca garantir fertilizantes para a safra
Segundo o ministro De Paula, o primeiro carregamento destinado ao Brasil deve ocorrer já na próxima semana. A missão terá a participação de 12 entidades do agronegócio brasileiro, entre elas a Aprosoja e a Abramilho.
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“O fantasma do desabastecimento está definitivamente descartado”, disse De Paula à CNN. O ministro também afirmou que as dificuldades logísticas provocadas pelos conflitos em duas áreas estratégicas para o transporte de fertilizantes deram mais importância à negociação com o Marrocos.
As tratativas entre os dois países avançaram em um momento de preocupação com o abastecimento global. Cerca de 92% dos fertilizantes consumidos no Brasil vêm do exterior, e a dependência ficou mais sensível após as guerras afetarem rotas de transporte e aumentarem o receio de países importadores sobre a disponibilidade do insumo.
O risco é especialmente relevante para o Brasil porque a agricultura depende da chegada dos fertilizantes para cumprir o calendário de plantio. Diante desse cenário, o governo passou a atuar em duas frentes: buscar fornecedores para garantir o abastecimento no curto prazo e ampliar a produção nacional para reduzir a vulnerabilidade externa no longo prazo.
Três unidades da Petrobras foram reabertas, enquanto uma quarta, no Mato Grosso do Sul, ainda está em processo. A retomada deve aumentar a participação da produção brasileira, mas não eliminará a necessidade de importações, principalmente de insumos que o país não produz, como os fertilizantes fosfatados.
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Marrocos também pode ampliar mercado para carne bovina
A viagem a Rabat terá ainda como objetivo ampliar o mercado de carne bovina brasileira no país africano. A missão contará com representantes das maiores associações do setor, incluindo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne.
Embora o mercado marroquino esteja aberto, a cobrança atualmente impede, na prática, o acesso do produto brasileiro. A negociação prevê tarifa zero para a carne bovina, medida que deve aumentar a competitividade das exportações.
O Ministério da Agricultura e Pecuária estima o mercado marroquino entre 100 mil e 150 mil toneladas por ano. O volume é menor que o registrado com outros parceiros, mas o governo avalia que a posição de Marrocos pode transformar o país em uma plataforma de entrada para outros mercados africanos.
Dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária, mostram que o Brasil exportou 9,5 mil toneladas de carnes para o Marrocos em 2025. As vendas renderam US 27,7 milhões.
De Paula afirmou que a relevância do acordo não se limita ao tamanho do mercado marroquino. Para o ministro, a abertura de novos destinos ajuda a reduzir a dependência brasileira de parceiros específicos, enquanto o país enfrenta dificuldades nas relações com a União Europeia, considerada um mercado estratégico.
A Rússia tem sido um dos maiores fornecedores de fertilizantes ao Brasil. A China também esteve entre os primeiros países a ampliar os envios para o agronegócio brasileiro, após uma missão realizada no começo do ano reforçar o suprimento de fertilizantes nitrogenados e NPK.
Agora, o governo tenta obter resultado semelhante com o Marrocos, que possui grande disponibilidade de fosfatos e passou a ser procurado por outros países interessados em garantir o abastecimento.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



