Indígenas de 44 aldeias do Vale do Javari terão barco abastecido para votar no 2º turno
Eleitores indígenas de 44 aldeias do Vale do Javari, no Amazonas, terão combustível e apoio logístico para chegar às urnas no segundo turno das eleições, marcado para o domingo (25). A solução saiu de uma parceria entre órgãos públicos e organizações, depois que a Justiça Eleitoral negou organizar o transporte.
Ao todo, foram reunidos 9.400 litros de combustível, segundo o TRE-AM (Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas). O acordo foi comunicado à Presidência do tribunal pela juíza Dálethe Borges Messias, a mesma que havia rejeitado o pedido inicial.
Juíza negou transporte fluvial pedido pela Univaja
Na terça-feira (20), a Justiça Eleitoral indeferiu a solicitação da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari). A entidade pedia transporte fluvial gratuito, água potável e alimentação para os eleitores no segundo turno.
Para justificar a negativa, a magistrada apontou falta de previsão orçamentária, prazo insuficiente e dificuldades logísticas para executar a operação.
A decisão gerou críticas de organizações indígenas, que cobraram condições para que os moradores da região conseguissem votar.
Acordo foi fechado em reunião em Atalaia do Norte
A saída surgiu na quarta-feira (21), em uma reunião na Câmara Municipal de Atalaia do Norte. Participaram representantes da Justiça Eleitoral, do Ministério Público Eleitoral, da prefeitura, da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e de organizações indígenas.
A maior parte do combustível, 4.640 litros, veio do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena). A Funai contribuiu com 3.260 litros, o CTI (Centro de Trabalho Indigenista) com 800 e a prefeitura com 700.
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O volume vai abastecer o deslocamento de comunidades que vivem às margens de diferentes rios da região, como Curuçá, Jaquirana, Javari, Itacoaí e Ituí.
Embarcações serão identificadas para fiscalização
Durante o encontro, o presidente da Univaja, Jaime da Silva Mayuruna, disse que as entidades se mobilizaram para conseguir o combustível necessário. De acordo com a ata, ele afirmou que “foram atendidas todas as aldeias, em todas as calhas de rio”.
Para acompanhar e fiscalizar a operação, a juíza pediu a identificação das embarcações e de seus responsáveis, além do detalhamento do que cada instituição forneceu.
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