Câncer de próstata: 71.730 novos casos por ano, estima o Inca, e quase sempre sem sintomas no início
O Novembro Azul é uma campanha realizada durante o mês de novembro para alertar a população sobre a saúde masculina, com foco no câncer de próstata. A iniciativa reforça a importância de reconhecer sintomas, conhecer os fatores de risco e procurar acompanhamento médico.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa para o triênio de 2023 a 2025 foi de 71.730 novos casos por ano. O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens brasileiros, sem contar o câncer de pele não melanoma.
Como a campanha surgiu no Brasil
No país, a iniciativa começou em 2011, por meio do Instituto Lado a Lado pela Vida. Desde então, ações de conscientização promovidas por instituições de saúde também passaram a fazer parte da campanha.
A proposta vai além das doenças da próstata. Ela busca estimular o homem a notar possíveis alterações no organismo e a procurar orientação profissional, ampliando a discussão sobre os cuidados com a saúde masculina.
Sintomas que merecem atenção
Alexandre R. Marra, pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP), explica que o câncer de próstata geralmente não dá sinais nos estágios iniciais. Em análise publicada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, ele afirma que, quando surgem, os sintomas podem se parecer com os de doenças benignas da próstata.
Entre as manifestações possíveis está a dificuldade para urinar, com redução da força do jato ou problema para iniciar a micção. Há também o aumento da frequência urinária, sobretudo à noite, e o sangue na urina, alteração que exige avaliação médica.
A dor óssea pode aparecer em casos avançados, quando o câncer se espalha para os ossos.
Esses sinais, porém, não indicam necessariamente a presença de câncer. Outras condições, como o aumento benigno da próstata, também podem provocá-los.
Fatores de risco e quando fazer exames
De acordo com o Inca, algumas características aumentam a chance de desenvolver a doença. A idade é uma delas, com risco que cresce com o envelhecimento, sobretudo após os 50 anos. Ter pai ou irmão com câncer de próstata também pode elevar o risco, assim como a obesidade, associada a maior risco de formas avançadas.
A investigação pode envolver o exame de sangue para dosagem do antígeno prostático específico (PSA) e o toque retal. O Ministério da Saúde e o Inca, no entanto, não recomendam o rastreamento populacional de rotina para homens sem sintomas, por causa dos riscos de resultados falso-positivos, sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários.
A decisão de fazer exames sem sintomas deve considerar benefícios e riscos, sempre com orientação profissional. Homens com alterações urinárias, sangue na urina ou outros sinais suspeitos devem procurar atendimento para investigação.
Tratamento depende do estágio e do tumor
O tratamento varia conforme o estágio da doença, as características do tumor e as condições clínicas do paciente. Entre as possibilidades estão a vigilância ativa, com acompanhamento periódico de tumores de baixo risco sem tratamento imediato, e a cirurgia para retirada da próstata em casos selecionados.
Também existem a radioterapia, que usa radiação para destruir células cancerígenas, e a terapia hormonal, que reduz ou bloqueia hormônios que favorecem o crescimento do tumor. A quimioterapia, por sua vez, é usada principalmente em situações de doença avançada.
Em alguns casos, diferentes tratamentos são combinados, e a escolha depende de avaliação individualizada.
Outros cuidados com a saúde masculina
Além do câncer de próstata, a campanha chama atenção para o acompanhamento da saúde ao longo da vida. Consultas médicas, avaliação de fatores de risco e atenção a sintomas ajudam a identificar diferentes problemas de saúde. Hábitos como alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle do peso corporal também fazem parte desse cuidado.
A principal orientação é procurar atendimento diante de alterações persistentes e conversar com profissionais de saúde sobre quais avaliações são adequadas a cada caso.
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Redação Saúde e Educação
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