Imobiliário e construção civil caem 33,6% e varejo recua 28,6% na bolsa desde a eleição, diz EQI

Com o dólar em alta e os juros futuros subindo cerca de 2,1 pontos percentuais, o Ibovespa chegou a cair 17% na abertura do pregão pós-eleição.

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Maiores quedas: Ibovespa | Foto: Reprodução/Seu Dinheiro

As ações brasileiras perderam força com o dólar em alta, os juros futuros elevados e as dúvidas fiscais. Um relatório da EQI Research mostra que o pregão seguinte ao resultado da eleição presidencial foi o mais duro, com o Ibovespa caindo 17% na abertura e fechando com queda de 13,88%.

A piora não atingiu todas as companhias da mesma forma. As empresas mais expostas ao consumo e ao crédito no mercado interno sentiram o golpe com mais força. Desde a eleição, o real perdeu cerca de 7,5% frente ao dólar, e os juros futuros subiram aproximadamente 2,1 pontos percentuais ao longo da curva.

Varejo e construção civil puxam as perdas setoriais

Os setores ligados à atividade doméstica foram os mais castigados. Segundo o levantamento, o índice de imobiliário e construção civil (IMOB) acumulou perda de 33,6%. O indicador de consumo e varejo recuou 28,6%, e o índice financeiro caiu 26,3%.

Na ponta oposta, materiais básicos resistiram melhor, com baixa de 3,4%. Para a EQI, a diferença mostra como a exposição ao exterior pode amortecer choques quando a economia doméstica sofre.

Exportadoras e companhias que faturam em moeda estrangeira ganham uma proteção extra quando o real se desvaloriza. Já concessionárias e empresas de utilidade pública aparecem no radar. Mesmo com receitas em geral mais previsíveis, esses negócios podem perder atratividade se os juros de longo prazo continuarem subindo, já que o custo de capital encarece e os fluxos de caixa futuros perdem valor.

Carteira da EQI cai 8,36% em outubro e bate só as small caps

A carteira Buy & Hold acompanhada pela EQI Research também sentiu a turbulência. Em outubro, o portfólio recuou 8,36%, resultado pior que a queda de 5,70% do Ibovespa no mesmo período. Ainda assim, ficou à frente do índice de small caps, que fechou o mês com perda de 10,71%.

Do lado positivo, a Petrobras (PETR4) subiu 7,47% e foi a maior contribuição da carteira, com 0,75 ponto percentual. As units da Klabin (KLBN11) avançaram 3,15% e acrescentaram 0,24 ponto percentual.

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No campo negativo, a Equatorial (EQTL3) teve o maior impacto, de 1,65 ponto percentual. Localiza (RENT3) e Allos (ALOS3) vieram em seguida, com contribuições de -1,20 ponto e -1,16 ponto percentual. O relatório traz pesos e contribuições, mas não informa compras, vendas ou rebalanceamentos feitos no período.

Ibovespa negocia a 7,9 vezes o lucro projetado

Mesmo com o cenário macroeconômico deteriorado, a EQI chama a atenção para os preços das ações. O múltiplo preçolucro (PL) projetado para os próximos 12 meses do Ibovespa estava em 7,9 vezes. Segundo o estudo, o indicador fica perto de um desvio-padrão abaixo da média histórica de 20 anos e alinhado à média dos últimos cinco anos.

Na prática, a Bolsa negocia com múltiplos mais baixos do que em parte de seu histórico. A própria casa faz uma ressalva: esse número não garante que todos os papéis estejam baratos nem que a recuperação esteja perto. A composição do índice pesa nessa conta, porque empresas mais maduras, que costumam ter múltiplos menores, ganharam espaço em relação às companhias de crescimento.

Por isso, o investidor precisa olhar quais empresas puxam o indicador antes de tratar o PL como sinal de oportunidade.

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