Sistema alimentar global demonstra resiliência diante do super El Niño em 2026

O sistema alimentar global se mostra mais resistente ao “super” El Niño deste ano, em comparação a eventos climáticos semelhantes no passado. Estoques quase recordes, inovações tecnológicas e o crescimento de grandes exportadores, como Brasil e Rússia, têm contribuído para essa situação.
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Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a produção agrícola mundial tem superado o consumo e o aumento populacional desde a década de 1980.
Essa evolução é resultado do desenvolvimento de cultivares mais produtivos, uso intensivo de fertilizantes e aprimoramento na irrigação e proteção das culturas. Esses fatores elevaram a produtividade de alimentos essenciais como arroz, trigo, milho e soja.
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Andrew Whitelaw, da consultoria agrícola australiana Episode 3, afirmou: “Mesmo em condições de seca, uma melhor gestão da irrigação e os avanços na ciência agrícola significam que ainda podemos produzir safras comercializáveis.”
Desafios trazidos pelo El Niño
A seca provocada pelo El Niño já afeta diversas áreas da Ásia, incluindo Índia, Sudeste Asiático e Austrália. A guerra no Irã também tem causado escassez de fertilizantes e diesel, aumentando os riscos para a produção global de alimentos. A Índia vive uma estação de monções fraca, enquanto regiões produtoras de trigo na Austrália enfrentam um clima seco.
No Sudeste Asiático, países como Indonésia e Tailândia sofrem com a falta de umidade nas safras.
Chris Hyde, meteorologista da empresa SkyFi nos EUA, alertou sobre as expectativas para o quarto trimestre e o início do próximo ano: “A expectativa é de que seja um dos mais fortes já registrados.” O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico oriental e central.
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Tradicionalmente, ele provoca secas na Ásia e chuvas intensas nas Américas.
Nos anos anteriores de 1997-98 e 2015-16, episódios severos do El Niño resultaram em quedas drásticas na produção das principais culturas agrícolas. Isso levou à escassez de alimentos e à inflação global. Durante esses períodos críticos, os preços do açúcar e do óleo de palma dispararam devido à diminuição da produção em países como Brasil, Índia, Indonésia, Malásia e Tailândia.
Estoques robustos mitigam impactos
Desta vez, porém, estoques quase recordes de grãos aliados a sementes resistentes à seca devem atenuar os impactos negativos esperados. Ashwini Bansod, vice – presidente da Phillip Capital India em Mumbai, comentou sobre a situação na Índia: “O plantio tem se mantido dentro do previsto após superar um atraso inicial substancial.” No entanto, as chuvas em agosto e setembro serão cruciais para garantir boas colheitas.
A Índia é responsável por 40% das exportações globais de arroz e atualmente enfrenta uma crise de espaço em seus armazéns devido aos altos estoques. A China também acumula quase metade dos estoques globais de trigo. Essa reserva deve ajudar a conter a demanda por importações caso a produção na Austrália seja afetada pela seca.
Os estoques globais de óleo de palma estão próximos dos níveis mais altos já registrados. Contudo, o agressivo programa de biodiesel da Indonésia pode reduzir esses números nos próximos meses. O óleo de palma representa cerca de 60% das exportações mundiais desse produto alimentício.
A ascensão do Brasil e da Rússia como exportadores
Nesta nova configuração global do mercado agrícola, o Brasil se destaca como o maior fornecedor mundial de soja. Desde 1997/98 suas exportações aumentaram mais de treze vezes. Da mesma forma, os embarques russos de trigo saltaram para 48 milhões de toneladas no ano passado.
A pesquisa desenvolveu híbridos tolerantes à seca que têm sido amplamente adotados em várias regiões desde 2015. Esses avanços tecnológicos ajudam os agricultores a manterem sua produtividade mesmo diante da irregularidade das chuvas. Variedades resistentes ao calor também estão sendo cultivadas na Índia e na Austrália.
No Sul e Sudeste asiático, variedades curtas de arroz permitem que os agricultores lidem melhor com as monções cada vez mais imprevisíveis. Os produtores agora utilizam ferramentas digitais avançadas que não estavam disponíveis durante o evento do El Niño nos anos 90.
Com informações meteorológicas precisas e dados sobre as culturas acessíveis através da tecnologia moderna, os governos conseguem se preparar melhor para enfrentar desafios climáticos futuros. O economista – chefe da FAO, Máximo Torero destacou: “Nossas previsões e a transparência do mercado melhoraram.” Os agricultores estão aderindo massivamente às plataformas baseadas em inteligência artificial que oferecem orientações sobre plantio adequado.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



