Hubble revela imagem inédita do disco de detritos do sistema Beta Pictoris

A nova imagem do Hubble revela detalhes inéditos sobre a formação de planetas ao redor da estrela jovem.

Uma representação artística retrata Beta Pictoris b (à direita) orbitando sua estrela hospedeira. O exoplaneta gigante foi a fonte de um sinal de rádio detectado recentemente. NASA/ESA/CSA/STScI/Ralf Crawford (STScI)

O Telescópio Espacial Hubble, da NASA, registrou uma imagem de altíssima resolução do disco de poeira e detritos que circunda o sistema estelar Beta Pictoris. A foto, divulgada pela agência espacial, foi feita em parceria com a ESA e os astrônomos D.

Apai e G. Schneider, ambos da Universidade do Arizona.

Beta Pictoris é um dos sistemas mais estudados pelos cientistas justamente por causa desse enorme anel de material. A nova imagem do Hubble oferece um nível de detalhe que pode ajudar a entender melhor como planetas se formam a partir desse tipo de nuvem de detritos.

O que mostra a imagem do Hubble

A fotografia capturada pelo telescópio revela a complexa estrutura do disco, que se estende por uma vasta região ao redor da estrela. A poeira e os fragmentos rochosos que compõem o sistema são remanescentes de colisões entre corpos celestes maiores, como asteroides e cometas.

Para os pesquisadores, observar esse tipo de detrito é como olhar para o passado do nosso próprio Sistema Solar. Acredita – se que discos semelhantes existiram ao redor do Sol há bilhões de anos, antes da formação dos planetas que conhecemos hoje.

O Hubble já havia observado Beta Pictoris antes, mas os avanços técnicos e o processamento de dados permitiram que esta nova imagem fosse muito mais nítida. O trabalho de D. Apai e G. Schneider foi essencial para extrair os detalhes finos do disco, que normalmente se perdem no brilho intenso da estrela central.

Por que Beta Pictoris é importante

O sistema Beta Pictoris é um laboratório natural para o estudo da formação planetária. Estima – se que a estrela tenha cerca de 20 milhões de anos, uma idade relativamente jovem em termos astronômicos, o que significa que o processo de criação de planetas ainda pode estar em andamento por lá.

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Os detritos observados pelo Hubble são, na prática, a matéria – prima que pode se aglutinar para formar novos mundos. Ao analisar a composição e a distribuição dessa poeira, os cientistas conseguem testar modelos teóricos sobre como os planetas ganham forma e evoluem com o tempo.

A imagem serve também como um registro valioso para futuras comparações. Missões como o Telescópio Espacial James Webb, por exemplo, podem mirar seus instrumentos em Beta Pictoris para obter dados ainda mais precisos sobre a química do disco e confirmar a presença de planetas já detectados indiretamente.