Houthis capturam ilha estratégica no Iêmen que ameaça comércio global de petróleo

A captura da ilha de Perim pelos Houthis pode bloquear o Estreito de Bab al-Mandeb, elevando tensões entre EUA e Irã.

13/09/2026 09:10

4 min

Mapa mostra Estreito de Bab el-Mandeb
Mapa mostra Estreito de Bab el-Mandeb

O grupo rebelde Houthi, apoiado pelo Irã, tomou o controle da ilha iemenita de Perim na última sexta – feira (11), assumindo uma posição estratégica no Estreito de Bab al – Mandeb. A captura dá aos Houthis a capacidade de bloquear a passagem de navios por uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, por onde passa parte significativa do comércio global de petróleo.

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Na quinta – feira (10), um dia antes, os rebeldes também tomaram a cidade costeira de Mocha, a cerca de 80 quilômetros ao norte de Perim. Os avanços representam uma escalada significativa na guerra civil do Iêmen e colocam o conflito no centro das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.

Uma ilha no centro do confronto global

Localizada no ponto mais estreito do estreito, a cerca de 20 quilômetros do Chifre da África, a ilha de Perim sempre foi cobiçada por seu valor estratégico. Durante o Império Britânico, serviu como estação de abastecimento de carvão para navios que seguiam para a Índia — ruínas desse passado colonial ainda são visíveis no local.

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Hoje, porém, a importância de Perim é outra. Com o fechamento virtual do Estreito de Ormuz, a Arábia Saudita passou a desviar suas exportações de petróleo pelo Mar Vermelho. Controlar Bab al – Mandeb significa, na prática, ter nas mãos uma alavanca sobre os preços globais de energia.

“Dissemos ao mundo que este é um projeto iraniano, mas ninguém ouviu os iemenitas naquela época. Agora é geopolítico”, afirmou Tarik Saleh, vice – presidente do governo iemenita reconhecido internacionalmente, em entrevista exclusiva à CNN. Saleh, sobrinho do ex – presidente deposto Ali Abdullah Saleh, é uma das poucas lideranças políticas que permanecem no país.

Da trégua à ofensiva

A guerra civil do Iêmen começou em 2014, quando os Houthis tomaram a capital Sanaa. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita passou a intervir militarmente no ano seguinte, enquanto o Irã fornecia armas e treinamento aos rebeldes. O resultado foi um país dividido: os Houthis controlam o noroeste e a capital; o governo e facções aliadas detêm grande parte do sul e do leste.

Após os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e a guerra em Gaza, os Houthis se juntaram ao conflito, lançando ataques contra Israel e embarcações no Mar Vermelho. Em resposta, os EUA e Israel realizaram ataques aéreos contra o grupo, que foi designado como organização terrorista por Washington em 2025.

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A mais recente ofensiva Houthi começou em julho, rompendo uma trégua tácita de quatro anos. O estopim foi um episódio envolvendo um voo iraniano: após a Arábia Saudita permitir que uma aeronave com uma delegação Houthi viajasse ao funeral do ex – líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o reino negou autorização para o retorno, temendo que o avião transportasse membros da Guarda Revolucionária Islâmica e equipamentos militares.

Aeronaves sauditas bombardearam a pista do aeroporto de Sanaa, e o avião desviou para Hodeidah.

Impacto na economia e na população

O fluxo de petróleo por Bab al – Mandeb já caiu drasticamente. Segundo dados da Kpler, o volume de petróleo que passava pelo estreito — cerca de 10% do comércio mundial há três anos — caiu pela metade. Uma campanha sustentada dos Houthis poderia bloquear ainda mais a rota.

Os pescadores locais também sofrem as consequências. Dezenas foram retirados de uma ilha ao norte de Perim após ataques de drones. Em um mercado improvisado à beira – mar, comerciantes reclamam que a guerra está destruindo os negócios. “Haveria muitos navios por aí, mas por causa do ataque dos Houthis não há navios agora”, disse um deles à CNN.

O porto de Mocha foi duramente atingido. Segundo o diretor do porto, Abdel Malek Al – Sharaabi, mais de 25 foguetes Houthis atingiram o local enquanto navios comerciais descarregavam mercadorias. Dezesseis pessoas morreram e 22 ficaram feridas naquele ataque.

Seis navios comerciais foram afundados e 14 mil motocicletas foram perdidas. “O porto tinha um papel importante no desenvolvimento e no comércio. Este ataque visa prejudicar esse desenvolvimento”, afirmou Al – Sharaabi.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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