Houthis capturam ilha estratégica no Iêmen que ameaça comércio global de petróleo

O grupo rebelde Houthi, apoiado pelo Irã, tomou o controle da ilha iemenita de Perim na última sexta-feira (11), assumindo uma posição estratégica no Estreito de Bab al-Mandeb. A captura dá aos Houthis a capacidade de bloquear a passagem de navios por uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, por onde passa parte significativa do comércio global de petróleo.
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Na quinta-feira (10), um dia antes, os rebeldes também tomaram a cidade costeira de Mocha, a cerca de 80 quilômetros ao norte de Perim. Os avanços representam uma escalada significativa na guerra civil do Iêmen e colocam o conflito no centro das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.
Uma ilha no centro do confronto global
Localizada no ponto mais estreito do estreito, a cerca de 20 quilômetros do Chifre da África, a ilha de Perim sempre foi cobiçada por seu valor estratégico. Durante o Império Britânico, serviu como estação de abastecimento de carvão para navios que seguiam para a Índia — ruínas desse passado colonial ainda são visíveis no local.
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Hoje, porém, a importância de Perim é outra. Com o fechamento virtual do Estreito de Ormuz, a Arábia Saudita passou a desviar suas exportações de petróleo pelo Mar Vermelho. Controlar Bab al-Mandeb significa, na prática, ter nas mãos uma alavanca sobre os preços globais de energia.
“Dissemos ao mundo que este é um projeto iraniano, mas ninguém ouviu os iemenitas naquela época. Agora é geopolítico”, afirmou Tarik Saleh, vice-presidente do governo iemenita reconhecido internacionalmente, em entrevista exclusiva à CNN. Saleh, sobrinho do ex-presidente deposto Ali Abdullah Saleh, é uma das poucas lideranças políticas que permanecem no país.
Da trégua à ofensiva
A guerra civil do Iêmen começou em 2014, quando os Houthis tomaram a capital Sanaa. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita passou a intervir militarmente no ano seguinte, enquanto o Irã fornecia armas e treinamento aos rebeldes. O resultado foi um país dividido: os Houthis controlam o noroeste e a capital; o governo e facções aliadas detêm grande parte do sul e do leste.
Após os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e a guerra em Gaza, os Houthis se juntaram ao conflito, lançando ataques contra Israel e embarcações no Mar Vermelho. Em resposta, os EUA e Israel realizaram ataques aéreos contra o grupo, que foi designado como organização terrorista por Washington em 2025.
A mais recente ofensiva Houthi começou em julho, rompendo uma trégua tácita de quatro anos. O estopim foi um episódio envolvendo um voo iraniano: após a Arábia Saudita permitir que uma aeronave com uma delegação Houthi viajasse ao funeral do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o reino negou autorização para o retorno, temendo que o avião transportasse membros da Guarda Revolucionária Islâmica e equipamentos militares.
Aeronaves sauditas bombardearam a pista do aeroporto de Sanaa, e o avião desviou para Hodeidah.
Impacto na economia e na população
O fluxo de petróleo por Bab al-Mandeb já caiu drasticamente. Segundo dados da Kpler, o volume de petróleo que passava pelo estreito — cerca de 10% do comércio mundial há três anos — caiu pela metade. Uma campanha sustentada dos Houthis poderia bloquear ainda mais a rota.
Os pescadores locais também sofrem as consequências. Dezenas foram retirados de uma ilha ao norte de Perim após ataques de drones. Em um mercado improvisado à beira-mar, comerciantes reclamam que a guerra está destruindo os negócios. “Haveria muitos navios por aí, mas por causa do ataque dos Houthis não há navios agora”, disse um deles à CNN.
O porto de Mocha foi duramente atingido. Segundo o diretor do porto, Abdel Malek Al-Sharaabi, mais de 25 foguetes Houthis atingiram o local enquanto navios comerciais descarregavam mercadorias. Dezesseis pessoas morreram e 22 ficaram feridas naquele ataque.
Seis navios comerciais foram afundados e 14 mil motocicletas foram perdidas. “O porto tinha um papel importante no desenvolvimento e no comércio. Este ataque visa prejudicar esse desenvolvimento”, afirmou Al-Sharaabi.
Editoria:
Redação Internacional
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