Aeroporto de Aden, porta de entrada do sul do Iêmen, é atacado pelos Houthis na quarta (28)
Os Houthis do Iêmen atacaram o aeroporto de Aden na quarta-feira (28), segundo autoridades governamentais. Antes do ataque, o grupo, alinhado ao Irã, havia alertado a população para deixar a região, em meio à escalada dos combates no país, que faz parte do conflito mais amplo do Oriente Médio.
Moradores da cidade portuária, no sul, onde fica o governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, disseram ter ouvido uma explosão perto do aeroporto. A instalação é a principal porta de entrada para o sul do Iêmen e funciona como uma via essencial para a ajuda humanitária.
Dois funcionários do Ministério dos Transportes contaram à agência Reuters que o tráfego aéreo foi interrompido logo após o ataque.
Equipes da ONU deixaram o aeroporto antes do ataque
Uma fonte ligada a organizações humanitárias afirmou que alguns funcionários da ONU saíram do aeroporto pouco antes do bombardeio. Não houve feridos, de acordo com a mesma fonte.
O porta-voz dos Houthis, Yahya Saree, afirmou em uma publicação na rede social X que o aviso de retirada tinha um motivo: a presença de uma aeronave militar de carga saudita que, segundo ele, levava armas. Até a publicação, as autoridades sauditas não tinham se manifestado.
Moradores também relataram explosões em outras partes da cidade antes da emissão do alerta.
Os Houthis controlam a capital, Sanaa, e a maior parte do noroeste do Iêmen, e já haviam atacado o aeroporto de Aden em diversas ocasiões. A Organização Internacional para as Migrações informou que sua equipe, que estava em Aden, segue em segurança e que todos os integrantes foram localizados depois dos relatos do ataque.
Combates ganham força no sul do país
Os confrontos entre os Houthis e a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita, se intensificaram nas últimas semanas. Com isso, abriu-se uma nova frente, instável, dentro da guerra mais ampla que envolve EUA, Israel e Irã.
No mês passado, as forças Houthis avançaram rumo ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. A passagem fica do lado oposto ao Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica. Desde então, as forças do governo tentam recuperar territórios na costa do Mar Vermelho, movimento que pode enfraquecer o controle dos Houthis sobre o ponto.
Ao mesmo tempo, a coalizão passou a atacar com mais força posições Houthis, em resposta às ofensivas do grupo contra a Arábia Saudita.
MSF relata míssil perto de avião humanitário
Na terça-feira (27), a organização humanitária MSF (Médicos Sem Fronteiras) disse que uma de suas aeronaves estava prestes a decolar de Aden, dias antes, quando as equipes foram orientadas a se abrigar após a queda de um míssil nas proximidades.
Em comunicado, a entidade afirmou que o aeroporto é o principal acesso para trabalhadores humanitários, suprimentos e equipamentos médicos destinados ao sul do Iêmen, e por isso a segurança no local é fundamental.
Já a emissora Al Masirah, controlada pelos Houthis, informou que 14 pessoas morreram e 15 ficaram feridas em um ataque saudita na região de Jawf, no norte do país.
Fim da trégua preocupa agências humanitárias
A retomada dos combates encerrou uma trégua mediada pela ONU em 2022, que tinha conseguido conter, em grande parte, os ataques de maior escala. O conflito começou depois que os Houthis expulsaram o governo de Sanaa, em 2014.
Agências de ajuda humanitária alertam que a nova onda de violência piora rapidamente as condições de um país que já enfrenta uma das piores crises humanitárias do mundo.
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