Hospital Moinhos de Vento oferece exame de Alzheimer, mas teste ainda é só na rede privada
Um exame de sangue para auxiliar na investigação e no diagnóstico da doença de Alzheimer começou a ser oferecido na quinta-feira (15) pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Testado por pesquisadores brasileiros, o método identificou a doença com mais de 90% de precisão.
O Hospital Moinhos de Vento é a primeira instituição do Brasil a oferecer o exame, aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Por enquanto, o teste está disponível apenas na rede privada; o hospital planeja buscar a integração a planos de saúde e ao SUS ainda em 2026.
Exame identifica proteína no sangue
O teste detecta a proteína p-tau217, considerada o principal biomarcador dos processos biológicos associados ao Alzheimer, como o acúmulo anormal de placas de beta-amiloide no cérebro. A precisão apontada pelos pesquisadores supera a do exame de líquor, considerado “padrão ouro” para detectar a doença.
Até agora, a investigação podia envolver procedimentos de maior custo e mais invasivos, como a punção lombar para coletar líquido cefalorraquidiano (LCR) e a tomografia por emissão de pósitrons (PET), usada para mapear a proteína amiloide. O exame de sangue pode facilitar a investigação precoce e apoiar o tratamento.
Eduardo Zimmer, Head de Pesquisa da Unidade de Neurociência do Hospital Moinhos de Vento e responsável pela implementação do exame, afirmou que o teste “representa uma alternativa transformadora e custo-efetiva, que consegue identificar os sinais biológicas da doença de forma menos invasiva pela análise no sangue”.
Zimmer também disse que foram realizadas etapas de validação e estudos laboratoriais, e que as análises demonstraram alta acurácia na identificação das placas de beta-amiloide. O resultado oferece uma informação adicional ao médico e deve ser considerado junto com a avaliação do estado mental, o histórico do paciente e exames complementares.
Integração ao SUS ainda depende de avaliação
O Hospital Moinhos de Vento prevê buscar a integração do exame a planos de saúde e ao SUS por meio de parcerias via PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde). A incorporação ao sistema público, porém, depende de avaliação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS).
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Em nota à CNN Brasil, o Ministério da Saúde informou que ainda não recebeu demanda para avaliar o exame baseado na identificação da proteína p-tau217. A análise da Conitec considera evidências científicas sobre eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário.
O ministério também afirmou que hospitais de reconhecida excelência podem apresentar projetos ao Proadi-SUS, por meio de chamamentos públicos realizados em ciclos de três anos. Atualmente, não há projetos em execução com a tecnologia mencionada.
Segundo a pasta, o SUS oferece assistência integral às pessoas com Alzheimer para contribuir com a estabilização do declínio cognitivo, preservar a funcionalidade, melhorar a qualidade de vida e garantir cuidado contínuo a pacientes, familiares e cuidadores.
O diagnóstico na rede pública é feito por avaliação clínica e exames complementares laboratoriais e de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
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