Hospitais brasileiros implementam ações de humanização para melhorar saúde emocional de pacientes

A crescente valorização da saúde emocional nos hospitais brasileiros reflete a necessidade de um atendimento mais humanizado

23/06/2026 18:41

3 min

Unidade hospitalar em Salvador promoveu uma ação de acolhimento durante o período junino
Unidade hospitalar em Salvador promoveu uma ação de acolhimento ...

A saúde emocional tem ganhado cada vez mais destaque nas instituições hospitalares brasileiras. Em um contexto onde sentimentos como ansiedade, medo e insegurança costumam ser frequentes durante o processo de internação, diversos hospitais estão implementando ações de humanização para tornar a vivência de pacientes, familiares e profissionais mais acolhedora e menos traumatizante.

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A importância da humanização na internação

A experiência hospitalar frequentemente é acompanhada por emoções intensas, como a ansiedade e o isolamento, que podem afetar tanto os pacientes quanto seus acompanhantes. O afastamento da rotina diária, do trabalho e das interações sociais tende a gerar um impacto emocional considerável, especialmente em casos de internações prolongadas.

Para amenizar esses efeitos, várias instituições têm investido em iniciativas que promovem a humanização, incluindo música ao vivo, atividades culturais e momentos de integração.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental emergiu como uma preocupação primordial global após o surto de Covid-19. Um relatório de 2022 indicou que um em cada quatro indivíduos no mundo passou a enfrentar problemas relacionados à saúde mental, o que reforçou a necessidade de implementar estratégias voltadas para o cuidado emocional em distintos ambientes, incluindo os hospitais.

Iniciativas inovadoras em hospitais brasileiros

Estudos recentes corroboram os benefícios proporcionados pela música e intervenções culturais na recuperação de pacientes. Uma análise publicada pela Cochrane Library revelou que a música pode reduzir níveis de ansiedade e estresse durante hospitalizações, além de melhorar a percepção de bem-estar.

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No Brasil, a Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde também reconhece a relevância do acolhimento e da escuta qualificada como elementos essenciais na assistência à saúde.

Em uma unidade hospitalar localizada em Salvador, foi promovida uma ação especial durante as festividades juninas. O evento incluiu apresentações musicais ao vivo e elementos culturais nordestinos, visando não apenas celebrar uma das tradições mais importantes da região, mas também proporcionar conforto emocional aos pacientes e acompanhantes que permanecem no ambiente hospitalar durante as festividades.

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“Cuidar do paciente implica também atentar para os aspectos emocionais que afetam a experiência de internação”, declarou Juliana Heller Albuquerque, coordenadora de Recursos Humanos do hospital. Segundo Albuquerque, as ações humanizadoras contribuem para um ambiente mais acolhedor e fortalecem os laços entre todos os envolvidos no processo hospitalar.

Impactos nas equipes de saúde

A discussão sobre saúde mental também se estendeu aos profissionais que atuam nas instituições. Levantamentos realizados pela Fiocruz após o pico da pandemia apontaram altos índices de sofrimento psíquico entre trabalhadores da saúde. A profissional Andreza Narciza destacou que iniciativas voltadas para o acolhimento são fundamentais na rotina dos colaboradores: “O hospital se torna nossa segunda casa.

Criar esses momentos é importante tanto para quem trabalha quanto para os pacientes”, comentou.

Os impactos emocionais também se estendem aos familiares dos pacientes internados. Áurea Rita Figueiredo, uma dona de casa de 58 anos que acompanha sua mãe internada há mais de um mês, compartilhou sua experiência com a depressão e como as atividades promovidas pelo hospital ajudaram a aliviar suas preocupações diárias: “Momentos assim fazem toda a diferença; mesmo por alguns minutos é possível esquecer os problemas”, disse.

Especialistas afirmam que iniciativas como essas não substituem tratamentos médicos ou psicológicos convencionais, mas atuam como complementos importantes na redução do sentimento de isolamento e na ampliação do bem-estar emocional dentro dos hospitais.

Assim, criar um ambiente mais humano no espaço tradicionalmente associado à dor e ao medo revela-se essencial para promover um cuidado integral que considere não apenas as necessidades clínicas, mas também as emocionais dos pacientes e seus acompanhantes.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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