Hedy Lamarr criou com George Antheil um sistema de rádio para proteger torpedos aliados

A Marinha dos Estados Unidos deixou a patente de lado por duas décadas, mas a ideia voltou a ser considerada na Guerra Fria e influenciou tecnologias atuais.

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Atriz Hedy Lamarr patenteou, nos anos 1940, um sistema de comunicação secreta para a guerra que se tornou a base das conexões modernas.

Hedy Lamarr, atriz austríaca que também se dedicava à engenharia, criou com o compositor George Antheil um sistema de salto de frequência para proteger sinais de rádio usados por torpedos aliados durante a Segunda Guerra Mundial. A patente foi obtida em 1942 e doada ao governo americano.

A proposta foi deixada de lado pela Marinha dos Estados Unidos, mas voltou a ser considerada durante a Guerra Fria. A partir dos anos 1980, a ideia serviu de base conceitual para tecnologias como Wi-Fi, Bluetooth e GPS.

Lamarr levou conhecimento militar para os Estados Unidos

Nascida em Viena, Lamarr já se interessava pelo funcionamento de máquinas antes de alcançar a fama no cinema. Filha de uma família abastada de ascendência judaica, precisou ocultar essa identidade ao longo da vida por causa do antissemitismo.

Antes de fugir para os Estados Unidos, ela foi casada com um magnata da indústria de armas que mantinha contato com líderes fascistas. Nos jantares promovidos por ele, eram discutidos armamentos avançados, e Lamarr teve acesso a conhecimentos técnicos que decidiu usar contra as forças do Eixo.

Invenção combinava frequências e mecanismos de pianola

O desafio era impedir que navios inimigos interceptassem ou bloqueassem os sinais de rádio que guiavam torpedos aliados. Lamarr e George Antheil propuseram que o emissor e o receptor mudassem de frequência ao mesmo tempo, seguindo um ritmo sincronizado.

Para desenvolver o mecanismo, Antheil se inspirou em bobinas de pianolas e relógios. A mudança de canal dificultaria que um espião identificasse e interrompesse a transmissão.

Batizado de “Sistema de Comunicações Secretas”, o projeto recebeu patente em 1942 e foi cedido sem custos ao governo americano.

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Marinha deixou patente de lado por duas décadas

A Marinha dos Estados Unidos considerou a proposta inadequada para aquele momento. A tecnologia militar dos anos 1940 não conseguia processar a invenção em larga escala, e o projeto ficou esquecido por vinte anos.

Durante a Guerra Fria, militares recuperaram a patente ao buscar formas de criar canais de comunicação difíceis de interceptar. A partir dos anos 1980, a solução de Lamarr e Antheil passou a ser reconhecida como um pilar conceitual para o desenvolvimento do Wi-Fi, do Bluetooth e da navegação por GPS.

Reconhecimento veio décadas depois

Por muitos anos, a contribuição de Lamarr permaneceu sem reconhecimento público. A indústria de telecomunicações e o setor militar usaram a estrutura conceitual do invento sem atribuir créditos públicos aos criadores nem pagar royalties.

A partir do final dos anos 1990, a comunidade científica passou a homenagear a inventora. Lamarr morreu no ano 2000 e foi incluída postumamente no Hall da Fama dos Inventores Nacionais.

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