Haiti: contratos com empresas estrangeiras comprometem a soberania, denuncia organização

Um dos acordos prevê pagamento por preso durante 50 anos, mesmo com presídios vazios.

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Foto: Reprodução

Contratos e perda de soberania no Haiti

Denúncias alarmantes apontam para a assinatura de contratos secretos que entregam partes significativas da soberania haitiana a empresas estrangeiras. Os valores envolvidos se comparam à dívida da independência do país, um fardo que o Haiti carregou por décadas.

Essas revelações foram trazidas à tona pela Rádio Brasil de Fato, através da correspondente Cha Dafol, que detalha uma investigação crucial.

Investigação de organização haitiana

Uma organização da sociedade civil haitiana, dedicada à defesa da cidadania e dos direitos humanos, foi responsável pela investigação. A organização descobriu que contratos foram assinados em dezembro e fevereiro pelo governo de transição, um governo que não foi eleito e não passou pelo escrutínio do parlamento.

A falta de transparência e aprovação legislativa é um ponto central da denúncia, com os contratos já em vigor sem a devida supervisão.

Contratos de presídios

A investigação identificou três contratos principais. Um deles se refere à construção de três centros carcerários. A empresa responsável investirá um valor mínimo, mas, por um período de 50 anos, o Estado haitiano deverá pagar US$ 22 por dia por cada preso.

Se não houver presos, a empresa continua recebendo o pagamento, uma situação que se torna alarmante. O investimento inicial de menos de US$ 20 milhões pode resultar em um pagamento total de US$ 6 bilhões ao longo de meio século, comparável à dívida da independência do Haiti no século XIX.

Comparação com El Salvador

Cha Dafol lembra que a prática não é inédita e cita El Salvador, onde presídios recebem até imigrantes deportados pelo governo Trump. A correspondente considera a situação “absolutamente inaceitável em termos de direitos humanos”.

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A situação também envolve a atuação de empresas com sede nos Emirados Árabes Unidos, ligadas a um empresário norte-americano com histórico de envolvimento em mercenários e crimes no Iraque.

Arrecadação e segurança nacional

Os contratos também abrangem a segurança do país e o controle das fronteiras. A arrecadação do Estado nas fronteiras será repassada a essa empresa, que espera lucrar mais de US$ 50 milhões em 10 anos. A situação se agrava com o caos que se instala no Haiti, com gangues aterrorizando a população, sequestrando jornalistas e recrutando crianças para suas fileiras, financiadas por armas e recursos externos.

Desinformação e consequências

Dafol ressalta que a informação sobre esses contratos não chegou à maior parte da população, revelada apenas dois meses após a assinatura. As rádios comunitárias têm um alcance limitado, e a comunicação sobre a situação permanece desigual.

A situação se agrava com a falta de acesso à informação, agravando o caos e a vulnerabilidade da população haitiana.

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