GWM Ajusta Estratégia Diante de Aumento de Impostos em Veículos Elétricos

A montadora GWM, que opera em Iracemápolis, São Paulo, está ajustando sua estratégia de mercado diante da possível elevação dos impostos de importação para veículos elétricos e híbridos. Segundo informações do diretor de assuntos institucionais da empresa, Ricardo Bastos, o imposto de importação para carros elétricos está programado para retornar à alíquota cheia de 35% em julho, caso o Governo Federal não altere a regra.
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Essa mudança afetaria diretamente o custo de unidades importadas, mas a GWM prevê que a redução dos custos dos modelos Haval H6 fabricados no Brasil compensará o aumento tributário, o que significa que um corte de preço direto para o consumidor final não é esperado.
Impacto da Nacionalização e Estratégia de Custos da GWM
A produção do utilitário Haval H6 em Iracemápolis é um exemplo de como a nacionalização de componentes e peças tem gerado vantagens tributárias. Embora o veículo utilize componentes importados via regime de ex-tarifário, a fabricação local permite que a montadora mantenha uma estabilidade na tabela de preços da linha 2027, que seria significativamente mais cara em outras versões.
A fábrica nacional, no entanto, enfrenta desafios de capacidade produtiva. Bastos explicou que, para atender integralmente à demanda crescente do mercado brasileiro pelo H6, a unidade precisará receber um investimento robusto para expansão de suas instalações e aumento da capacidade.
Atualmente, o modelo SUV híbrido tem mostrado um crescimento expressivo nas vendas locais, respondendo por 65% das 2.688 unidades emplacadas em abril.
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Além do SUV híbrido, a GWM também monta em Iracemápolis outros veículos, como a picape Poer, que não exige complementação de importação, e o SUV Haval H9, que ainda conta com algumas previsões de importação devido à alta procura nas concessionárias.
Debate Competitivo e Futuro das Cotas de Importação
O mercado automotivo brasileiro acompanha de perto as movimentações das marcas concorrentes, e o debate sobre os incentivos de importação é um ponto central. A BYD, por exemplo, tem negociado com o Governo Federal a extensão das cotas de importação para kits desmontados (CKD e SKD) destinados à montagem em Camaçari, Bahia.
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Anos atrás, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX) havia decidido estender por seis meses as cotas isentas de imposto para esses kits. Atualmente, a BYD busca uma nova prorrogação de mais seis meses para manter suas operações de montagem.
Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, justificou o histórico das cotas, lembrando que o governo havia concedido o benefício por um período determinado, condicionando a extensão ao cumprimento de investimentos e compromissos pelas empresas.
Essa declaração foi feita durante uma cerimônia de entrega de um veículo da marca no país.
Diante desse cenário, a Anfavea, associação que representa os fabricantes de automóveis, e outras entidades do setor têm manifestado resistência à renovação dos incentivos para SKD e CKD. O argumento principal é a falta de previsibilidade nas decisões governamentais, o que gera incerteza para o planejamento de investimentos no setor.
A expectativa do mercado permanece alta em relação à próxima reunião do GECEX, que poderá discutir o futuro das cotas de importação para kits SKD e CKD, influenciando diretamente a estratégia de preços e a capacidade de oferta das montadoras no Brasil.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.


