GWM Aumenta Produção de Haval H6 com Alíquota de 35% em Importações

GWM aumenta produção do Haval H6 em Iracemápolis, buscando atender à crescente demanda do mercado brasileiro e mitigar impactos da tributação

23/06/2026 09:16

4 min

Fábrica da GWM no Brasil
Fábrica da GWM no Brasil

A indústria automotiva brasileira enfrenta incertezas regulatórias em relação à tributação de veículos importados, especialmente elétricos e híbridos. Segundo informações divulgadas por Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM, o imposto de importação para carros elétricos está programado para retornar à alíquota integral de 35% em julho, caso o Governo Federal não altere a regra.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa mudança tarifária impacta diretamente o custo dos veículos, mas a estratégia de nacionalização de modelos, como o Haval H6, tem sido crucial para manter a competitividade no mercado interno.

Impacto da Tributação e a Estratégia de Nacionalização da GWM

A elevação do imposto de importação para veículos elétricos e a manutenção de uma alíquota de 35% para o segmento híbrido alteram a dinâmica de preços. Bastos apontou que, no caso dos modelos híbridos, o aumento de 28% para 35% no imposto de importação tende a tornar os veículos montados no Brasil mais acessíveis em comparação com as unidades trazidas de fora.

A montadora GWM utiliza o utilitário Haval H6, fabricado em Iracemápolis (SP), que incorpora peças nacionalizadas e componentes importados por meio do regime de ex-tarifário. Essa combinação confere uma vantagem tributária significativa ao modelo produzido localmente.

No entanto, o executivo alertou que, apesar da vantagem, a fábrica ainda não possui capacidade produtiva suficiente para suprir integralmente a demanda crescente do mercado brasileiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A tendência de crescimento da produção nacional é evidente nos registros de emplacamento. Em abril, por exemplo, as unidades produzidas no país representaram 65% do total de 2.688 veículos registrados. Além do SUV híbrido, a GWM também produz na mesma unidade a picape Poer, sem necessidade de complementação por importação, e o SUV Haval H9, que ainda conta com previsões de importação devido à alta procura nas concessionárias.

Para que a GWM consiga atender plenamente a demanda do Haval H6, a empresa precisa receber investimentos destinados à expansão de suas instalações, visando ampliar significativamente sua capacidade de produção. Essa estratégia de nacionalização, segundo Bastos, foi fundamental para que a tabela de preços da linha 2027 do Haval H6 fosse mantida estável, registrando um aumento de apenas R$ 1 mil em algumas versões.

Leia também

Debate Político sobre Incentivos de Importação no Setor Automotivo

O mercado automotivo acompanha de perto as movimentações de concorrentes, como a BYD, que busca negociar com o Governo Federal a extensão das cotas de importação para kits desmontados (CKD e SKD) destinados à montagem em Camaçari, na Bahia. O tema foi revisitado após uma reunião do GECEX (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), que havia estendido cotas isentas de imposto por seis meses há um ano.

Atualmente, a BYD espera uma prorrogação adicional de mais seis meses para o benefício. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, justificou que a cota anterior foi concedida com a condição de que os investimentos das empresas fossem devidamente avaliados e auditados, garantindo o desenvolvimento da segunda etapa do projeto.

Toda essa discussão ocorre em um momento de expectativa para uma nova reunião do GECEX, que poderá deliberar sobre a manutenção das cotas de importação para kits SKD e CKD. A Anfavea, associação que representa os fabricantes de automóveis, e outras entidades do setor têm manifestado oposição à renovação desses incentivos.

O argumento central é a falta de previsibilidade gerada pelas decisões governamentais, o que impacta o planejamento de longo prazo das empresas.

A complexa relação entre incentivos fiscais, capacidade produtiva local e a volatilidade das regras de importação define o cenário atual, forçando montadoras como a GWM a adaptar suas estratégias de produção e preço no Brasil.

A expectativa do mercado é por um posicionamento claro do Governo Federal para mitigar a incerteza tributária e garantir a estabilidade dos preços dos veículos no país.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!