Governo emite decreto para regular apostas esportivas no Brasil

Governo lança decreto para regular apostas esportivas, buscando conter mercado paralelo que movimenta bilhões sem controle fiscal

Bets se tornaram uma questão de saúde pública

O governo federal emitiu, nesta sexta-feira (19), o decreto 13033/2026, estabelecendo novas regras para o setor de apostas esportivas no Brasil. A medida regulatória visa, primariamente, tentar controlar o vasto mercado paralelo de *bets*, onde, segundo estimativas, entre 41% e 51% das empresas que operam no país ainda funcionam de maneira ilegal.

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A regulamentação sinaliza um esforço do Estado para trazer controle e fiscalização a um setor que cresceu exponencialmente nos últimos anos.

Contexto e o Atraso na Regulamentação do Setor

O economista Paulo Clias analisou o decreto, classificando a iniciativa como positiva, mas apontando um atraso significativo no processo. Segundo ele, a regulamentação chegou com um lapso de três anos.

Clias recordou que, já em 2023, durante a administração do presidente Lula, o governo havia tomado medidas para formalizar o que havia sido aprovado em períodos anteriores. Ele enfatizou que, por um longo período, as operações de apostas estiveram em uma zona cinzenta, caracterizada pela falta de um arcabouço legal adequado.

O especialista detalhou que o mercado se dividiu: parte das empresas conseguiu se enquadrar na regulamentação, financiando grandes eventos esportivos e patrocinando diversas áreas da economia. Contudo, uma parcela significativa permaneceu fora do sistema legal, operando como chamadas casas de aposta ilegais.

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Essas operações clandestinas, segundo o economista, geram receitas substanciais sem que haja controle fiscal ou pagamento de impostos devidos ao Estado. A publicação do decreto, portanto, representa uma intervenção governamental tardia para tentar conter o fluxo de dinheiro dessas atividades sem fiscalização.

Análise de Especialistas: O Risco de Saúde Pública e a Necessidade de Proibição

A motivação por trás da abertura do mercado, segundo o economista, envolve interesses financeiros tanto do setor privado quanto do próprio governo. Ele observou que órgãos como o Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional têm grande interesse em captar receitas, o que levou o governo a optar por uma abertura ampla, em vez de uma proibição total ou uma restrição máxima.

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No entanto, Paulo Clias manifestou uma crítica veemente ao modelo regulatório. Ele defendeu publicamente que o jogo de apostas deve ser completamente proibido no Brasil, com exceção de loterias esportivas que sejam rigorosamente controladas pelo Estado.

O especialista argumentou que a permissão de funcionamento representa um grave risco de saúde pública e mental. Para ele, a invasão das apostas em dispositivos móveis e em ambientes familiares não é apenas um problema de mercado ilegal, mas sim um problema de vício e doença social que precisa ser combatido.

A visão de Clias aponta que o foco do problema não deve estar apenas nas casas de aposta irregulares, mas sim nas plataformas legalizadas, que, segundo ele, facilitam o acesso e o vício em uma escala perigosa.

A discussão, portanto, transcende a esfera econômica, entrando no campo da política de saúde e do bem-estar social, exigindo um debate mais profundo sobre os limites do entretenimento e do vício.

A regulamentação do setor, embora necessária para formalizar o mercado, é vista por alguns especialistas como um passo que deve ser acompanhado de medidas mais rígidas de controle social e de saúde pública.