Governo Central registra déficit primário recorde no Brasil

Governo Central enfrenta déficit primário recorde no Brasil, com impacto negativo nas contas públicas e aumento expressivo despesas discricionárias.

Com o remanejamento aprovado pelo CMN, governos estaduais e municipais terão R$ 1 bilhão a mais disponível para empréstimos no sistema financeiro | Joel Santana via Pixabay – 11.fev.2016

O Governo Central— que engloba tesouraria nacional, Previdência Social e Banco Central —, registrou um déficit primário de R 53,3 bilhões em maio de 2026. O saldo negativo aponta para uma piora significativa nas contas públicas brasileiras.

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Segundo dados divulgados nesta segunda – feira (29/junho), o resultado é 26,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior; quando havia deficiência primaria de R 40,2 bilhões em maio de 2025. A análise revela a deterioração das finanças devido à expansão dos gastos que superou o crescimento da arrecadação líquida

Déficit acumulado e despesas discricionárias

O problema se acentuou nos números consolidados: entre janeiro e maio deste ano, houve um déficit primário totalizando R 44,4 bilhões para o Governo Central. Esse valor reverteu completamente o cenário observado no mesmo período do năm passado (em2025), quando havia sido registrado ainda um excedente deR\32,9 bilhão.

No ciclo completo dos últimos doze meses em comparação com anos anteriores, a conta negativa atinge os já alarmantes R 142,3 bi, representando 1,06% do Produto Interno Bruto.

A maior pressão sobre as contas veio das despesas discricionárias. Este setor registrou crescimento expressivo na ordem de 128,6%, o que corresponde ao aumento real de R 16,7 bilhões. A função Saúde foi um grande motor desse acréscimo nos gastos totais; foram necessários maisR\12,1 bilhão em maio de 2026 comparado aos valores registrados no mês equivalente a cinco anos atrás.

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Impacto da arrecadação e custos administrativos

Por outro lado, as receitas mostraram avanços pontuais para tentar compensar os altos níveis de gasto público. Houve uma forte queda na receita proveniente dos dividendos e participações do setor privado, que recuou impressionantes 76,4% (em termos reais), totalizando R 7,3 bilhões.

Esse decréscimo é atribuído principalmente à redução nos repasses feitos pelo BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

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Em contrapartida a essa retração em parte das fontes de renda, o dinheiro vindo da exploração de recursos naturais cresceu significativamente: um aumento real de 84,5%, impulsionado pela valorização observada no preço internacional do petróleo.

Apesar disso, os tributos administrados diretamente por Receita Federal também avançaram consideravelmente; houve alta na CSLL (de 36,7%) e no IOF (30,4%.

Desafios futuros para as contas públicas

Apesar dos esforços nas receitas — que não foram suficientes para cobrir toda expansão —, a despesa total ainda subiu em ritmo superior ao das entradas. Os investimentos registraram crescimento robusto de 73,9%, além da elevação nos custos administrativos gerais, com um aumento real de quase 20%, chegando aos custeio administrativo.

O déficit do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) também se manteve elevado: o valor somou R 60,7 bilhãoapenas no mês de maio e representa uma alta nominal anualizada de 3,1\%. Diante desse cenário complexo, a estimativa feita pelo Tesouro Nacional aponta para que será necessária autorização específica do Congresso.

Essa medida é crucial porque há previsão de insuficiência na ordem dos R 180,3 bilhões necessárias em 2026 somente para cumprir regras fiscais estabelecidas.