Faturamento real da indústria de transformação cai 1% no 1º semestre de 2026, aponta CNI

A queda no faturamento da indústria de transformação reflete a pressão de juros altos e a concorrência das importações, afetando o crescimento do setor.

12/08/2026 19:30

2 min

Ricardo Alban, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria)
Ricardo Alban, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indús...

No primeiro semestre de 2026, o faturamento real da indústria de transformação registrou uma queda de 1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O dado foi divulgado nesta quarta – feira (12) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e indica um arrefecimento da atividade industrial, impactada por juros elevados, aumento das importações e elevação dos custos de produção.

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Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, apontou que a estagnação do setor se deve a três fatores principais: o alto patamar dos juros, que afeta a economia; o endividamento elevado de famílias e empresas; e a expressiva entrada de produtos importados no mercado nacional. “A indústria vem andando de lado e isso se deve, principalmente, a esses fatores. É mais difícil que as indústrias consigam repassar o aumento dos custos para seus preços devido à concorrência com as importações, o que comprime as margens”, explicou Nocko.

Desempenho e indicadores

Apesar de um leve crescimento de 0,8% no faturamento em junho em relação a maio, esse desempenho não foi suficiente para compensar os resultados fracos observados nos meses anteriores. Outros indicadores também revelam uma desaceleração na atividade industrial.

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O número de horas trabalhadas na produção caiu 1,1% nos primeiros seis meses do ano quando comparado ao mesmo período de 2025.

Além disso, o emprego industrial apresentou uma queda de 0,6%, enquanto a utilização da capacidade instalada (UCI) diminuiu de 77,4% para 76,8% em junho. Na média do semestre, esse indicador ficou 1 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano passado, sinalizando uma menor pressão sobre o parque produtivo.

Mercado de trabalho e salários

A análise da CNI sobre o mercado de trabalho trouxe resultados mistos. Embora o emprego tenha recuado no acumulado do semestre, a massa salarial real cresceu 0,8% em comparação ao primeiro semestre de 2025. Esse aumento na massa salarial é um indicativo positivo em meio ao cenário desafiador enfrentado pela indústria.

O rendimento médio dos trabalhadores na indústria também teve um avanço significativo de 1,4% na mesma base de comparação. Esses dados sugerem que, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor industrial, os salários estão se mantendo em alta.

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Expectativas futuras

A tendência mostra um quadro desafiador para a indústria brasileira nos próximos meses. A combinação entre juros altos e pressão das importações torna a recuperação mais complexa. As medidas que podem ser adotadas para estimular o setor ainda dependem da evolução do cenário econômico interno e externo.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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