Glaucoma: Aumento de Casos e Desafios no Tratamento no Brasil em 2026

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no Brasil, afetando 350 mil pessoas anualmente. Descubra os desafios e avanços no tratamento!

(Imagem de reprodução da internet).

Glaucoma: A Principal Causa de Cegueira Irreversível no Brasil

O glaucoma continua sendo a principal causa de cegueira irreversível no Brasil. Anualmente, cerca de 350 mil brasileiros recebem tratamento para a doença com colírios fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

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Apesar dos avanços nos tratamentos, que incluem procedimentos cirúrgicos, os desafios permanecem, tornando a condição uma séria ameaça à saúde ocular.

Essa doença é progressiva e, na maioria dos casos, resulta do aumento da pressão intraocular, que ocorre devido a alterações na circulação ou obstruções nos canais de drenagem do fluido ocular. Com o tempo, esses fatores podem danificar o nervo óptico.

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Embora não exista cura, o glaucoma pode ser controlado com um diagnóstico e acompanhamento médico adequados.

Desafios no Controle do Glaucoma

Um estudo realizado por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita, publicado em abril, analisou dados sobre cirurgias de glaucoma realizadas pelo SUS. A pesquisa revelou que o número de procedimentos aumentou de 18,5 mil em 2009 para 45,2 mil em 2024, representando um crescimento de 144%.

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No entanto, essa evolução não é uniforme. “A cobertura da demanda nacional ainda enfrenta desafios significativos”, afirma a oftalmologista Carolina Engelbrecht, uma das autoras do estudo e pesquisadora do Centro de Estudo e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS) do Einstein.

Ela destaca que a distribuição regional dos procedimentos é desigual, com o Sudeste e o Norte apresentando os maiores volumes proporcionais de atendimento em comparação a outras regiões. Além disso, há uma carência em termos tecnológicos, com um número considerável de trabeculectomias, a cirurgia convencional, que aumentou de 10,6 mil em 2009 para 18,6 mil em 2024.

Avanços no Tratamento do Glaucoma

Atualmente, existem métodos que possibilitam procedimentos minimamente invasivos. “Em países desenvolvidos, observamos uma diminuição nas trabeculectomias e um aumento nos procedimentos minimamente invasivos, que apresentam menor risco de complicações”, relata Engelbrecht.

Além das cirurgias, os recentes avanços mudaram o perfil do tratamento, com colírios desenvolvidos para causar menos irritação ocular e combinar múltiplos componentes em uma única solução.

Os métodos a laser também transformaram a abordagem no combate à doença, permitindo tratamentos menos invasivos que podem ser realizados em consultório. “Comparado a 20 anos atrás, as técnicas e tratamentos atuais são mais eficazes e seguros.

Contudo, a adesão ao tratamento continua sendo um desafio central para os profissionais de saúde”, ressalta a médica e pesquisadora do CEPPS.

Crescimento no Número de Exames de Glaucoma

O Brasil tem avançado lentamente nesse aspecto. De acordo com o CBO, o total de exames de glaucoma realizados no país aumentou de 1,37 milhão em 2019 para 2,26 milhões em 2025, um crescimento de 65%. No entanto, essa evolução não foi homogênea: o Sudeste liderou com um aumento de 115%, enquanto o Nordeste apresentou o menor crescimento nos últimos cinco anos, com apenas 36%.

As disparidades são evidentes, com Pernambuco registrando 7 mil exames para cada 100 mil habitantes, enquanto no Distrito Federal são apenas 265 testes. “A forma mais comum de glaucoma se desenvolve de maneira lenta e gradual, e muitas vezes o paciente não apresenta sintomas, o que dificulta a busca por atendimento oftalmológico”, explica o oftalmologista Diego Monteiro Verginassi, também do Einstein.

A Importância do Diagnóstico Precoce

Para a presidente do CBO, a oftalmologista Maria Auxiliadora Frazão, a mudança desse cenário deve envolver autoridades, gestores, médicos e formadores de opinião. “Não é suficiente conscientizar sobre os riscos; é necessário garantir acesso aos exames e, após o diagnóstico, criar uma rede que ofereça tratamento no momento certo e com o acompanhamento adequado”, enfatiza.

Após os 40 anos, é recomendável incluir a investigação para glaucoma nos exames de rotina. O risco é maior para pessoas com histórico familiar da doença, idade avançada, pressão ocular elevada, miopia alta ou uso prolongado de corticoides. Um fator de risco menos conhecido é a ascendência africana, pois na população negra, o glaucoma primário de ângulo aberto é mais prevalente, com início mais precoce e progressão mais rápida e resistente a tratamentos.

Portanto, é fundamental manter uma agenda regular de check-ups. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de preservação da visão. “Avaliar a pressão ocular e o fundo de olho são exames que fornecem informações cruciais.

O essencial é realizar esses testes”, orienta o médico.