Gilcilene Lima de Pontes leva fábrica de papel higiênico a presídio em Registro e vai de 70 a mil

Com cinco trabalhadores e produção de mil fardos por dia, a Gpel enfrentou falta de compradores e precisou rever custos, preços e vendas após a mudança.

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Empresária multiplicou a produção após instalar fábrica dentro de penitenciária | Foto: Reprodução/Catraca Livre

A fábrica de Gilcilene Lima de Pontes passou de 70 para mil fardos de papel higiênico por dia em Registro, no Vale do Ribeira. A produção funciona dentro da penitenciária da cidade, com trabalho de pessoas privadas de liberdade.

O crescimento trouxe um problema que a empresária não esperava: faltavam compradores para tudo o que saía das máquinas. Ela precisou rever custos, preços e vendas para dar conta do novo volume.

Por que a empresária aceitou levar a fábrica ao presídio

Gilcilene atravessava dificuldades financeiras quando recebeu a proposta de instalar sua operação na unidade de Registro. Muitos empreendedores da região já tinham recusado a oportunidade, que ficou de lado por cerca de quatro anos.

A mudança exigia enfrentar receios e adaptar a rotina industrial a um espaço controlado, com regras de acesso, instalações e circulação diferentes das de uma fábrica convencional. Gilcilene cresceu na zona rural, começou a empreender aos 23 anos e formalizou a Gpel Fábrica e Distribuidora em 2013.

Mesmo com recursos limitados, decidiu seguir adiante.

A adequação e a instalação levaram oito meses, com trâmites, transporte de máquinas e preparação do espaço. A fábrica começou a operar no presídio em novembro de 2024, e não logo após o convite.

Como a produção saiu de 70 para mil fardos por dia

Antes da transferência, dois funcionários fabricavam cerca de 70 fardos de papel higiênico por dia. No novo espaço, cinco trabalhadores passaram a atuar na produção, que chegou a mil fardos diários. Os dois números se referem a momentos diferentes e não permitem separar quanto do ganho veio de máquinas, jornada ou organização.

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O ritmo de compra de insumos também mudou. Segundo a empresária, uma quantidade de matéria-prima que antes durava quase um ano foi usada em 14 dias. Mais capacidade exigia estoque, capital e vendas acompanhando as máquinas.

Faltaram compradores e a empresa refez as vendas

A dificuldade apareceu logo depois da expansão, porque Gilcilene não tinha clientela suficiente para absorver o novo volume. Ela buscou orientação de gestão para rever a operação comercial e tornar os produtos competitivos no mercado que pretendia alcançar.

Em maio de 2026, a empresa atendia 49 clientes e fornecia papel higiênico, papel-toalha e lençóis hospitalares. Os estabelecimentos incluem pontos ao longo da Rodovia Régis Bittencourt, entre Miracatu e Curitiba. O número reflete a carteira informada naquele momento, e não o total de cidades atendidas.

Gilcilene também passou a cuidar de marketing e planejamento financeiro. O desafio passou a incluir qualidade constante, capacidade de entrega e previsibilidade de custos, já que uma fábrica que produz mil fardos num dia precisa repetir o processo sem comprometer seus compromissos.

Meta era chegar a 180 cidades em 2026

Gilcilene projetava levar seus produtos a 180 cidades como meta para 2026, número que era objetivo e não o alcance comprovado da rede comercial. Ela também planejava construir um depósito com escritório para organizar melhor a operação.

A história começa com dois funcionários e 70 fardos por dia, passa por oito meses de implantação e chega a cinco trabalhadores e mil fardos diários. Entre uma ponta e outra, a empresa precisou encontrar compradores para a produção.

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