General Nikolai Varpakhovich, acusado de ordenar ataque a hospital infantil em Kiev, é baleado

O Comitê de Investigação da Rússia apura a tentativa de assassinato, enquanto Zelensky promete operações assimétricas em resposta ao ataque.

03/09/2026 21:21

3 min

General russo Nikolai Varpakhovich
General russo Nikolai Varpakhovich

O major – general Nikolai Varpakhovich, acusado pela Ucrânia de ordenar um ataque com mísseis contra um hospital infantil em Kiev, foi baleado várias vezes nesta quinta – feira (3), na cidade de Engels, na região de Saratov, no noroeste da Rússia.

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O militar sobreviveu e foi levado a um hospital, informou o Comitê de Investigação da Rússia, que abriu uma investigação sobre uma tentativa de assassinato. A imprensa local afirmou que Varpakhovich foi transportado de avião para Moscou após ser atingido no rosto e no tronco.

Ataque ocorreu em Engels, base de bombardeiros russos

O Comitê de Investigação não identificou oficialmente o homem baleado. Canais russos no Telegram, porém, divulgaram amplamente que se tratava de Nikolai Varpakhovich, comandante da 22ª Divisão de Aviação de Bombardeiros Pesados da Aviação de Longo Alcance das Forças Aeroespaciais Russas.

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Engels abriga a frota de bombardeiros estratégicos da Rússia, que inclui as aeronaves Tu-95MS e Tu-160. Moscou utiliza esses aviões para lançar mísseis de cruzeiro de longo alcance contra a Ucrânia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, mencionou o episódio em seu pronunciamento diário. “também realizaremos nossas próprias operações assimétricas em resposta” à Rússia, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Os criminosos russos não se esconderam — eles serão encontrados.

E hoje traz mais uma confirmação desse fato, uma confirmação na região de Saratov”.

Acusações contra Varpakhovich

O militar havia sido acusado pela Ucrânia de ordenar um ataque contra um hospital infantil em Kiev. A ofensiva matou três pessoas — entre elas uma criança, ferida no ataque e morta alguns dias depois — e deixou dezenas de feridos.

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Vários setores da unidade foram danificados ou destruídos, incluindo as unidades de terapia intensiva, as alas de oncologia e cirurgia, o centro de toxicologia e o centro de trauma. O hospital relatou que centenas de pacientes e funcionários foram retirados depois que o alarme indicou a aproximação de um bombardeio.

Parte das pessoas, no entanto, ainda estava no prédio quando o míssil atingiu o hospital cerca de uma hora mais tarde. Entre elas estavam três pacientes que passavam por cirurgia cardíaca.

O Serviço de Segurança da Ucrânia e o procurador – geral do país apresentaram formalmente acusações de crimes de guerra contra Varpakhovich três dias atrás. Segundo as acusações, ele determinou que unidades de aviação de longo alcance sob seu comando lançassem um míssil de cruzeiro ar – terra Kh-101 contra o hospital.

Varpakhovich também foi alvo de por seu papel em 2024.

Outros alvos de alto escalão na Rússia

Embora a Ucrânia não tenha comentado o ataque, Varpakhovich vinha sendo monitorado por Kiev. Ele é o mais recente de uma série de autoridades militares russas de alto escalão atingidas por aparentes assassinatos na Rússia nos últimos anos.

Moscou acusa a Ucrânia de estar por trás dessas mortes, mas Kiev nunca reconheceu oficialmente participação em nenhuma delas. Igor Kirillov, general responsável pelas forças russas de proteção contra armas nucleares e químicas, morreu em dezembro de 2024, quando um artefato explosivo instalado em uma scooter foi detonado perto dele.

Também morreram em explosões de carros em Moscou o tenente – general Yaroslav Moskalik, vice – chefe do principal departamento operacional do Estado – Maior, e o tenente – general Fanil Sarvarov, comandante do departamento de treinamento operacional das Forças Armadas.

Outro caso foi o de Armen Sarkisyan, fundador de uma milícia pró – Rússia descrito pela Ucrânia como um “mentor do crime”. Ele morreu após um atentado a bomba no centro de Moscou, em fevereiro de 2025.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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