Suprema Corte do Missouri impede mapa pró-republicanos em revés para Trump

A Suprema Corte do Missouri decidiu nesta quinta – feira que o novo mapa eleitoral do estado não poderá entrar em vigor sem ser submetido aos eleitores. A decisão atende ao grupo People Not Politicians, que reuniu assinaturas para pedir um referendo contra o redistritamento congressional.
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O caso envolve a rejeição da petição pelo secretário de Estado republicano do Missouri, Denny Hoskins, principal autoridade eleitoral do estado. A decisão ocorre depois de o Missouri realizar, no mês passado, as eleições primárias com base no novo mapa.
Suprema Corte libera referendo sobre o mapa
O People Not Politicians usou uma disposição da Constituição estadual que permite consultas populares para aprovar atos legislativos. Hoskins concluiu que essa regra não se aplicava ao redistritamento congressional e, por isso, recusou o pedido.
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A Suprema Corte rejeitou esse entendimento. Em decisão escrita pela juíza Ginger Gooch, a corte afirmou: “A petição para o referendo era legal, suficiente e apresentada dentro do prazo, e o secretário concluiu incorretamente o contrário”.
Gooch também determinou que o novo desenho não terá validade imediata. “não entrará em vigor a menos que e até que seja aprovado pelos eleitores”, afirmou a juíza.
O diretor – executivo do People Not Politicians, Richard von Glahn, defendeu a decisão e criticou a interpretação feita pelo secretário de Estado. “A Constituição do Missouri diz o que diz, e essas palavras importam”, disse aos jornalistas.
Decisão gera dúvidas para eleição de novembro
Ainda não está claro como a decisão afetará os candidatos que disputarão as eleições de novembro. O novo mapa foi usado nas eleições primárias realizadas no mês passado, mas a Suprema Corte não explicou como os candidatos deverão ser escolhidos agora que o mapa anterior voltou a vigorar.
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O gabinete de Hoskins havia argumentado que retirar o novo mapa tão perto da eleição geral provocaria confusão e dificuldades práticas. A corte, porém, responsabilizou diretamente o secretário pela situação, porque ele recebeu as assinaturas em dezembro e aguardou quase oito meses para rejeitá – las, até as 16h do último dia do prazo.
O Missouri foi um dos vários estados que aprovaram novos mapas ou adotaram medidas para fazê – lo durante uma extraordinária batalha de redistritamento no meio da década, iniciada depois que Trump conseguiu convencer os republicanos do Texas a do estado.
Embora estados governados por republicanos e democratas tenham elaborado novos mapas, os republicanos terminaram em vantagem. Uma decisão da Suprema Corte dos EUA permitiu que vários estados conservadores do Sul eliminassem distritos com grandes populações negras.
Ao todo, os republicanos ampliaram suas chances em 16 distritos, incluindo o de Cleaver no Missouri. Os democratas, por outro lado, garantiram vantagem em seis distritos. Na Câmara dos Representantes, os republicanos têm maioria estreita de 219 a 214, incluindo um deputado independente que integra a bancada republicana.
O governador do Missouri, Mike Kehoe, republicano que apoiou o novo mapa, criticou a decisão da Suprema Corte. “Estamos extremamente decepcionados com a decisão de hoje, tomada por juízes não eleitos, e com a falta de respeito deles pelo processo legislativo”, afirmou no X.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



