Fogo para abrir pasto e perda de água ameaçam o Pantanal

Investigação da PF ligou incêndios de 2020 a fazendas de Corumbá; estudos apontam perda de vegetação nativa e de superfície de água no bioma.

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Brigadistas da comunidade quilombola Kalunga, em Goiás, chegam ao Pantanal como reforço na equipe do Prevfogo/Ibama e enfrentam vegetação densa em seu primeiro dia de combate na região. Corumbá (MS), 30/06/2024 | Foto: Reprodução
Brigadistas da comunidade quilombola Kalunga, em Goiás, chegam a...
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O Pantanal é reconhecido como Patrimônio Nacional pela Constituição de 1988 e está na lista do Patrimônio Natural da Humanidade da Unesco desde 2000. É uma das maiores planícies alagáveis do planeta. O bioma é transfronteiriço, e o Brasil detém cerca de dois terços de sua área, que enfrenta grave risco ambiental com o avanço da agropecuária.

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Entre agosto de 2000 e julho de 2025, mais de 16.470 km² de vegetação nativa pantaneira foram suprimidos no lado brasileiro.

Incêndios criminosos

O problema não se limita à remoção da cobertura vegetal: a área destruída pelo fogo é ainda maior que a área desmatada. A pecuária tem sido apontada como um dos principais vetores dessa destruição nas últimas décadas.

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Em 2020, o Pantanal viveu a pior temporada de incêndios já registrada. Entre janeiro e agosto daquele ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contou mais de 10 mil focos de incêndio na região.

Investigação apontou fogo para abrir pasto

Em setembro de 2020, a Polícia Federal deflagrou a Operação Matáá para investigar a origem das queimadas. Com dados de satélite do Inpe e da Nasa, a PF ligou os focos iniciais a quatro grandes fazendas em Corumbá (MS) e encontrou indícios de que a vegetação nativa foi queimada de forma deliberada para a criação de área de pasto para gado.

Perda de água

Além dos incêndios, a água que alimenta o bioma está diminuindo. Segundo o pesquisador Eduardo Rosa, do MapBiomas, “atualmente outra realidade [de uso agropecuário intensivo] altera a dinâmica da água na bacia hidrográfica”, em comparação com períodos secos anteriores, como as décadas de 1960 e 1970.

Um estudo repercutido pelo Jornal da Unesp em 1º de julho de 2026 aponta que o Pantanal perdeu cerca de 80% de sua superfície de água nas últimas quatro décadas. O climatologista Carlos Nobre avalia que, mantido o ritmo atual, o bioma pode desaparecer por volta de 2070.

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Desmonte de políticas ambientais

O desmonte das políticas ambientais é apontado como fator agravante dos incêndios. O relatório “Cronologia de um Desastre Anunciado”, da Associação Nacional dos Servidores de Meio Ambiente (Ascema Nacional), reúne evidências sobre esse processo.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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