Flávio Bolsonaro propõe R$ 900 bilhões em transportes para o agro
Flávio Bolsonaro e Lula apresentam planos distintos para infraestrutura do agronegócio nas eleições de 2026.
Os programas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2026 propõem soluções para os gargalos de infraestrutura que afetam o agronegócio brasileiro. As duas candidaturas apresentam planos com ênfases distintas em transporte, armazenagem, energia e conectividade rural.
O setor enfrenta custos logísticos que representam 15,5% do PIB, segundo estimativas citadas no programa de Flávio Bolsonaro, ante 8,8% nos Estados Unidos. A falta de armazéns, a dependência do transporte rodoviário e as deficiências de internet e energia limitam a competitividade do campo.
Flávio Bolsonaro prevê R$ 900 bilhões em transportes
O candidato do PL propõe investir R$ 900 bilhões ao longo de quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias. O plano prevê a criação dos Corredores Logísticos Inteligentes para integrar regiões e reduzir custos. Entre os projetos estão a integração de cargas entre Mato Grosso, oeste do Paraná e Santa Catarina, a conclusão da Transnordestina e a ampliação da Hidrovia do Tapajós.
A estratégia de financiamento aposta na iniciativa privada, com ampliação de concessões e PPPs. O documento propõe um fundo lastreado na securitização de ativos da União e prevê financiamentos do BNDES exclusivamente para obras no Brasil. O programa, no entanto, não detalha a composição dos R$ 900 bilhões nem a parcela destinada a cada modal.
Na armazenagem, o programa reconhece a insuficiência da capacidade atual, mas não apresenta metas de expansão em toneladas nem o volume de recursos reservado para o setor. “Com armazenagem, o alimento fica disponível o ano inteiro, e a conta do supermercado deixa de ser uma surpresa a cada visita”, afirma o documento.
Lula aposta no Novo PAC e na integração multimodal
O programa do PT apresenta a infraestrutura como parte de uma estratégia de desenvolvimento econômico e transição energética. A proposta é dar continuidade ao Novo PAC, manter investimentos públicos e privados e ampliar as concessões rodoviárias e ferroviárias. O documento informa que os investimentos em infraestrutura chegaram a R$ 280 bilhões em 2025, com previsão de alcançar R$ 300 bilhões em 2026.
O plano prioriza o planejamento nacional de longo prazo e a integração entre os modais rodoviário, ferroviário, hidroviário, aéreo e marítimo. “A expansão e o aperfeiçoamento do Novo PAC e a contínua revisão dos planos nacional e setoriais de longo prazo da logística serão importantes instrumentos para tornar a infraestrutura mais integrada”, afirma o texto.
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O programa também associa os investimentos à redução das desigualdades regionais e à descarbonização.
Na área hídrica, Lula propõe ampliar investimentos para revitalizar bacias hidrográficas e garantir segurança hídrica. O programa não detalha metas específicas de expansão da irrigação ou valores para cada empreendimento.
Conectividade e energia no campo
Flávio Bolsonaro propõe ampliar a cobertura de internet em áreas rurais, priorizando escolas e regiões de fronteira. O programa cita o trabalho do governo Bolsonaro, que “já havia conectado mais de 11 milhões de pessoas, por meio da instalação de mais de 21 mil pontos de inclusão digital pelo Programa Wi-Fi Brasil”.
Não há meta específica de cobertura para propriedades rurais nem cronograma exclusivo para o agronegócio.
Lula defende reduzir o déficit de fibra óptica que atinge 11% dos municípios e ampliar o 5G no campo, com prioridade para Norte, Nordeste e periferias. O plano prevê manter o uso do FUST como instrumento de apoio aos investimentos em conectividade.
Na energia, Flávio Bolsonaro prevê modernizar a rede de transmissão, incentivar o biogás e ampliar a infraestrutura de gás natural. Lula propõe universalizar o acesso à energia elétrica no meio rural com fontes renováveis, como solar e eólica, e estimular o aproveitamento de subprodutos da agroindústria para bioenergia.
Nenhum dos dois programas apresenta meta específica de redução do custo da energia para o agronegócio.