Flávio Bolsonaro estaria em Puerto Iguazú, na Argentina, para embarcar rumo aos EUA, diz Infobae

Derrotado nas eleições de 2026, o senador teve o passaporte recolhido por ordem de Moraes e é alvo de duas investigações no STF.

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Irmãos Bolsonaro estão nos EUA | Instagram / Eduardo Bolsonaro | Foto: Reprodução/Opera Mundi

O senador Flávio Bolsonaro (PL) pode se tornar o mais recente integrante do grupo de bolsonaristas que deixaram o Brasil. Segundo o Infobae, que publicou a informação em 27 de outubro, ele estaria em Puerto Iguazú, cidade argentina na fronteira com o Brasil, pronto para embarcar rumo aos Estados Unidos.

O candidato derrotado nas eleições de 2026 se juntaria a parentes, influenciadores e ex-integrantes do governo de Jair Bolsonaro que saíram do país por condenações ou investigações, sempre alegando perseguição política. Até agora, não se sabe como ele teria cruzado a fronteira.

Moraes mandou entregar passaporte após a derrota

Em 26 de outubro, um dia após a derrota nas urnas, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse o passaporte à Justiça. Uma das razões citadas na decisão foi uma entrevista de Eduardo Bolsonaro, dada dois dias antes do segundo turno, em que ele afirmava que o então candidato deveria deixar o país caso perdesse a eleição.

Também na segunda-feira (26/10), o blogueiro Paulo Figueiredo disse, em sua live, que na noite de domingo, logo após a confirmação da derrota, aconselhou o senador a ir para os Estados Unidos. Flávio afirmou em seu Instagram que a Polícia Federal (PF) o intimou, na segunda-feira (26/10), a entregar seus passaportes.

Duas investigações no STF e a questão do foro

Flávio é investigado em duas frentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Sob relatoria do ministro André Mendonça, ele responde por suspeita de evasão de divisas e lavagem de dinheiro ligadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

A apuração mira repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a produção.

Na outra frente, relatada por Alexandre de Moraes, a suspeita é de lavagem de dinheiro por meio de uma casa de apostas. A PF analisou o conteúdo de e-mails do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e as mensagens indicariam que o senador foi incluído como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz.

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Para a PF, há indícios de “vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, primeira empresa a obter autorização estadual da Loterj, no Rio de Janeiro, para explorar bets no estado.

O mandato de Flávio como senador termina em 31 de janeiro de 2027, e com ele acaba o foro privilegiado.

Eduardo, Figueiredo e Ramagem na Flórida

Eduardo Bolsonaro vive no Texas desde março de 2025. Ele foi condenado pelo STF em junho de 2026 por atuar para obter sanções americanas contra autoridades brasileiras, e teve a prisão decretada em outubro, entre os dois turnos. O ex-deputado tem passaporte italiano e também obteve o green card, que garante residência permanente nos Estados Unidos.

Desde que deixou o Brasil, fez viagens ao Oriente Médio e chegou a abrir uma empresa no Bahrein, segundo a Pública.

Seu braço direito nos Estados Unidos, Paulo Figueiredo, está havia uma década em solo da Flórida. Ele responde no Inquérito das fake news e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. O caso não avançou porque, segundo a reportagem, o neto do ex-ditador João Figueiredo nunca foi intimado, e ele é considerado foragido.

O blogueiro Allan dos Santos também é foragido e vive na Flórida. O STF decretou sua prisão preventiva em outubro de 2021, reforçada em 2024, além do bloqueio de contas bancárias e perfis digitais no Brasil. Ele é investigado no Inquérito das fake news e das milícias digitais.

No mesmo estado mora Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal pelo PL. O STF o condenou a 16 anos de prisão pela trama golpista, e houve pedido de extradição. Em setembro de 2025, ele fugiu com apoio de Rodrigo Cataratas, condenado por comandar garimpo ilegal na Terra Yanomami, conforme revelou a Pública.

O empresário também está foragido, acusado de ter ajudado na fuga de Ramagem.

Em abril de 2026, o Serviço de Imigração dos Estados Unidos (ICE) deteve Ramagem, mas o liberou dois dias depois. Hoje, segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), ele é imigrante ilegal no país e pode ser detido e deportado, como também mostrou a Pública.

Carla Zambelli, Oswaldo Eustáquio e Leo Índio no exterior

Na Itália, a ex-deputada federal Carla Zambelli foi presa em junho de 2025. Em maio de 2026, a Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, a soltou. Ela havia sido condenada pelo STF a dez anos de prisão por contratar um hacker que inseriu um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na Espanha, o blogueiro Oswaldo Eustáquio segue foragido da Justiça brasileira desde 2023. Em outubro de 2026, ele se tornou réu por associação criminosa no inquérito que apura a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Em junho de 2025, o governo espanhol rejeitou o pedido de extradição feito pelo Brasil, por entender que houve motivação política.

Leonardo Rodrigues de Jesus, o Leo Índio, é primo de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. Ele é investigado no inquérito do golpe de 2023 e teve a prisão decretada em 2025. Mora em Puerto Iguazú, do lado argentino da tríplice fronteira, o mesmo ponto por onde Flávio teria passado.

A Pública apontou que Leo está entre os investigados por desinformação e tentativa de golpe que seguem ativos nas redes em 2026.

Também na Argentina estão cinco brasileiros condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, extraditados em dezembro de 2025: Joelton Gusmão de Oliveira, Joel Borges Correa, Rodrigo de Freitas Moro, Wellington Firmino e Ana Paula de Souza, de acordo com apuração da BBC Brasil.

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