Fiocruz e Movimentos Sociais Promovem Curso sobre Saúde em RJ

Instituições públicas, movimentos sociais e organizações comunitárias do Rio de Janeiro estiveram envolvidas, entre os dias 22 e 24 de junho, na primeira etapa de um curso livre focado na Promoção da Saúde. A formação, que reúne mais de 70 participantes de diferentes estados, como Minas Gerais e Espírito Santo, está diretamente ligada ao projeto “Territórios de Cuidado“.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Esta iniciativa é desenvolvida pelo Programa de Saúde, Ambiente e Trabalho (PSAT) da Fiocruz Brasília e visa fortalecer a articulação entre saúde, meio ambiente e trabalho em nível local.
O Escopo Amplo e a Determinação Social da Saúde
O projeto “Territórios de Cuidado” possui um escopo macro que transcende os limites estaduais. Ele atua em 15 regiões distintas, abrangendo os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal. Seu objetivo central é mapear e fomentar experiências populares que conseguem articular as dimensões da saúde, do ambiente e do trabalho em comunidades diversas.
Nesta primeira fase, o foco temático é a Determinação Social da Saúde, um conceito fundamental para entender como as condições de vida e trabalho de uma população influenciam diretamente seu estado de saúde. Paralelamente, será abordada a comunicação popular, reconhecida pelos organizadores como uma ferramenta estratégica essencial.
A proposta educacional visa fornecer subsídios práticos para sujeitos e coletivos. O objetivo é auxiliar no enfrentamento das desigualdades sociais e, simultaneamente, promover o reconhecimento das práticas de cuidado já consolidadas dentro das próprias comunidades.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Essa valorização dos saberes locais é um pilar da metodologia.
Desenvolvimento de Capacidade e Articulação em Rede
A realização desta atividade formativa é o desdobramento de um processo que começou em maio deste ano. Na ocasião, foi realizada uma Oficina de Articulação Territorial, que reuniu mais de 200 gestores públicos, pesquisadores e líderes comunitários vindos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
Leia também
O projeto em si tem uma duração planejada de três anos, abrangendo o período de 2025 a 2027. As ações formativas são abrangentes, cobrindo temas cruciais como determinação social da saúde, a relação entre territórios e modos de vida, a interconexão entre cultura e saúde, e a promoção da participação social.
A escolha dos territórios participantes não foi aleatória. Os locais foram selecionados com base em critérios rigorosos que incluem a presença ativa de movimentos e organizações sociais locais. Outros fatores considerados foram altos índices de vulnerabilidade social, o risco de insegurança alimentar e nutricional, e a presença de comunidades quilombolas, garantindo um olhar profundo sobre as necessidades regionais.
Para democratizar o acesso à informação e potencializar a capacidade de incidência política dessas regiões, a organização enfatiza o uso da comunicação popular. Essa abordagem não apenas valoriza o conhecimento comunitário, mas também fortalece a rede de articulação em diferentes níveis de gestão e sociedade civil.
O projeto nasce de experiências anteriores da Fiocruz Brasília, consolidando o trabalho em vigilância popular e na articulação em rede. Dessa forma, o curso de junho reforça o compromisso com a saúde como um direito social e um processo de construção coletiva.
O evento reforça a importância da participação de múltiplos atores — desde o setor público até os movimentos populares — na construção de políticas de saúde mais equitativas e territorialmente adaptadas.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



