Camponeses e Comunidades Reagem a 30 Anos de Luta pela Soberania Alimentar

30 Anos de Luta pela Soberania Alimentar e Direitos Camponeses
Cerca de 1.300 camponeses e camponesas de 20 estados brasileiros participaram, nesta quinta-feira (14), do encontro realizado no Centro Comunitário Athos Bulcão da Universidade de Brasília (UnB). O evento celebrou os 30 anos de trajetória do movimento, homenageou Frei Sérgio Görgen e reafirmou o compromisso com um projeto popular voltado à soberania alimentar, à defesa dos territórios e ao fortalecimento do poder popular.
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A mobilização, que se estendeu por quatro dias, iniciada na segunda-feira (11), reuniu debates sobre conjuntura política, formação, cultura popular e produção agroecológica.
Debates e Produção Agroecológica
A programação do encontro incluiu debates sobre a conjuntura política, além de atividades de formação, cultura popular e produção agroecológica. Um dos pontos altos da mobilização foi o abastecimento solidário, com a distribuição de cerca de 23 mil refeições produzidas a partir de 32 toneladas de alimentos cultivados por famílias camponesas.
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Aproximadamente mil marmitas também foram distribuídas para pessoas em situação de rua, comunidades de terreiro e integrantes da comunidade LGBTQI+ no Distrito Federal.
Infância Camponesa e Denúncias
Paralelamente às atividades políticas, ocorreu a “Ciranda Camponesa”, que reuniu 110 crianças e adolescentes. O grupo elaborou a “Carta do MPA Mirim”, uma denúncia dos impactos do agronegócio e da degradação ambiental nos territórios camponeses.
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As crianças relataram preocupações com rios contaminados por agrotóxicos, queimadas, falta de escolas próximas e a destruição causada pela monocultura. Frases como “As queimadas dão medo na época da seca” e “os rios estão cheios de veneno e sem peixes” ilustram a realidade vivida por essas crianças.
Valorização da Cultura e do Campo
Além disso, as crianças destacaram a importância das festas populares, das trocas de sementes, das feiras agroecológicas e da possibilidade de “comer o que a gente planta” como parte da construção da felicidade no campo. O documento também fez um apelo aos adultos por mais espaços de escuta e participação para crianças e adolescentes nas comunidades e movimentos populares.
As crianças compartilharam experiências sobre vida comunitária, natureza e futuro no campo, em brincadeiras e rodas de conversa.
Propostas e Perspectivas Futuras
A “Carta de Aplicação do Encontro”, documento político aprovado ao final da atividade, aponta a soberania alimentar como eixo estratégico para enfrentar a crise climática e o avanço das grandes corporações sobre os territórios. O movimento defende um modelo de desenvolvimento baseado na preservação ambiental, na autonomia dos povos sobre seus territórios e no fortalecimento da produção camponesa.
Uma das propostas apresentadas é a retomada da iniciativa de reorganização do sistema alimentar nos territórios, com o objetivo de ampliar o acesso a alimentos saudáveis no campo e nas cidades.
Alianças e Mobilização
A carta final reforça a necessidade de ampliar alianças entre campo e cidade como estratégia para enfrentar desigualdades sociais e fortalecer transformações populares no país. O documento reafirma o papel das mulheres camponesas na organização política e produtiva dos territórios e aponta o combate ao patriarcado, à LGBTfobia e às diferentes formas de violência como tarefas centrais do movimento.
O encontro também envolveu o apoio internacional, com o MPA defendendo a continuidade de um projeto democrático no país e convocando sua militância para fortalecer candidaturas alinhadas à soberania popular e aos direitos do campesinato.
Próximas Ações e Chamado à Organização
O movimento anunciou a construção de uma “Greve Camponesa”, uma mobilização que visa pressionar por crédito agrícola, moradia, educação do campo e fortalecimento das agroindústrias territoriais. O encontro foi encerrado com um chamado à organização popular e à defesa da soberania alimentar como elemento central para o futuro do país.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



