Fifa enfrenta desafios para criar músicas icônicas para a Copa do Mundo em 2026

A Fifa busca reinventar a trilha sonora da Copa do Mundo em 2026, enfrentando o desafio de criar músicas que ressoem com a identidade cultural do futebol.

Shakira durante a abertura da Copa do Mundo 2026

A relação entre música e Copa do Mundo traz à tona memórias marcantes, como “La Copa de la Vida”, de Ricky Martin, em 1998, e “Waka Waka”, de Shakira, em 2010. Essas canções transcenderam o evento esportivo e se tornaram símbolos de suas respectivas edições.

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Entretanto, a Fifa tem enfrentado desafios para repetir esse sucesso nas últimas Copas, mesmo com um investimento crescente em novos artistas e formatos. Anitta, Tyla e Daddy Yankee foram algumas das apostas mais recentes, mas as músicas não conseguiram impactar da mesma forma que os grandes sucessos do passado.

Um exemplo dessa nova abordagem é a canção “Dai Dai”, que inicialmente surgiu associada à Copa, mas acabou se integrando ao torneio de maneira mais ampla. Em vez de depender de uma única faixa para representar todo o evento, a Fifa optou por trabalhar com diversas músicas e artistas.

O jornalista Cristóvão Vieira destaca que a dificuldade não se resume apenas ao consumo fragmentado de música nos dias de hoje, mas também à criação de uma canção que realmente ressoe com a identidade do futebol.

A importância da identidade musical

Vieira acredita que os hinos memoráveis das Copas conseguiram unir produção musical e elementos culturais reconhecíveis pelo público. Ele explica que no Brasil existe uma preferência por ritmos que nasceram no país e que fazem parte do nosso contexto sociocultural.

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Para ele, “La Copa de la Vida” trouxe referências latinas com uma energia contagiante típica dos estádios. Já “Waka Waka” aproveitou influências africanas para estabelecer uma conexão com a Copa da África do Sul.

O jornalista ressalta como Ricky Martin conseguiu transformar sua música em um símbolo da competição através de refrões cativantes. Em contrapartida, algumas produções recentes tentaram adotar uma linguagem global, mas acabaram ignorando um componente essencial: a conexão com a identidade cultural do futebol.

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Ele observa que músicas lançadas para esta edição careceram desse “tempero”, deixando uma sensação de falta.

A voz das arquibancadas

A história dos hinos das Copas mostra que nem sempre a canção oficial reflete o verdadeiro espírito do torneio. Um exemplo notável é “Love Generation”, de Bob Sinclar, associada ao Mundial de 2006 embora não tenha sido escolhida pela Fifa. Cristóvão argumenta que o futebol frequentemente cria seus próprios símbolos, emergindo da energia genuína das arquibancadas.

As músicas surgem naturalmente do público e têm um impacto real nas torcidas.

Ele menciona como cânticos criados por torcidas brasileiras conseguem ultrapassar fronteiras nacionais. Vídeos mostram torcedores do Sport e do Vitória cantando em uníssono no estádio, criando um fenômeno viral mundial devido à sincronia impressionante e à energia coletiva presente.

Música oficial versus espontaneidade

No Brasil, a busca por uma música representativa da Seleção é evidente nas iniciativas da CBF. Para esta Copa, foi lançada “Bate no Peito”, reunindo artistas populares na tentativa de criar uma trilha sonora associada ao futebol nacional. Contudo, Cristóvão observa que o desafio está em transformar essa produção planejada em algo espontâneo que ressoe com os torcedores.

Ele critica a desconexão entre os dirigentes da CBF e o público consumidor de futebol e sugere que seria mais eficaz realizar pesquisas para entender as preferências musicais dos fãs. A autenticidade é crucial; tentar empurrar algo artificial não funciona com os torcedores.

A influência brasileira no exterior

Outro ponto importante destacado por Vieira é como a cultura brasileira de arquibancada começou a influenciar outros países. Ele cita o exemplo da torcida holandesa adotando “Magalenha”, música de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, durante a Copa.

A cena de holandeses cantando em português com bateria completa encantou o jornalista.

Para ele, o futuro das músicas relacionadas à Copa não deve estar atrelado apenas à quantidade de lançamentos, mas sim à qualidade das composições capazes de evocar emoções coletivas entre os torcedores.