Fenatrad alerta: Microempreendedorismo ameaça direitos de trabalhadoras domésticas em 2025?

Mercado de Trabalho Doméstico em 2025: Queda de Vínculos e Desafios Profissionais
O setor de trabalho doméstico encerrou o ano de 2025 com um número ligeiramente superior a 1,3 milhão de vínculos ativos. Este dado representa uma redução de 40 mil postos em comparação com o ano anterior, conforme apurou o Ministério do Trabalho e Emprego.
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Em dezembro do ano passado, o salário médio real para a categoria atingiu a marca de R$ 2.047,92. Essa retração no número de vínculos pode sinalizar um aumento em determinadas formas de relações de trabalho informais.
A Transformação para o Microempreendedorismo e a Precarização
Segundo Francisco Xavier, coordenador de gestão administrativa da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos (Fenatrad), há um movimento crescente de estímulo para o microempreendedorismo entre as trabalhadoras domésticas.
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Xavier aponta que muitas profissionais estão sendo induzidas a se enquadrarem como microempreendedoras, e não mais como trabalhadoras domésticas. Ele alerta que essa situação preocupa até a Organização Internacional do Trabalho (OIT), pois configura uma maneira de contornar a legislação trabalhista.
Direitos Negados e Estigma Profissional
Essa transição impede que a trabalhadora tenha acesso aos direitos conquistados após décadas de luta pela categoria. Xavier estima que cerca de 10 milhões de brasileiros atuam em postos de trabalho doméstico, ressaltando a desvalorização dessa atividade.
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Além disso, ele menciona um estigma social que leva as pessoas a não se reconhecerem como trabalhadoras domésticas. “É muito comum a pessoa chegar e dizer: ‘Não sou trabalhadora doméstica, sou cuidadora’”, explica, citando o preconceito como fator de redução nos números oficiais.
Jornadas Exaustivas e a Luta por Direitos
Sobre a questão da jornada de trabalho, o coordenador da Fenatrad enfatiza que o fim da escala 6×1 é uma pauta central nos debates sindicais. Ele destaca como o trabalhador doméstico sofre com longas jornadas e remuneração baixa.
Apesar da conquista recente de uma jornada limitada a oito horas, Xavier relata que é comum ouvir relatos de profissionais obrigadas a chegar muito cedo, permanecendo na portaria até completar as oito horas de trabalho. Esse tempo de deslocamento já conta como jornada.
Impacto na Vida Pessoal
Outro ponto levantado é a contradição entre o serviço doméstico e a vida pessoal. “A trabalhadora doméstica não tem tempo para nada, para cuidar da saúde, da sua família”, afirma Xavier.
Ele compartilha um exemplo pessoal de como a dedicação ao trabalho impede o acompanhamento do crescimento dos filhos, pois a rotina de trabalho e retorno exaurem o tempo disponível para a família.
Perspectivas para a Categoria
Os desafios apontados, desde a informalização até as jornadas exaustivas, mostram a necessidade contínua de defesa dos direitos trabalhistas na área doméstica.
A discussão sobre a valorização e o reconhecimento formal da categoria permanece crucial para garantir condições de trabalho dignas para os profissionais.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



