FecomercioSP aponta que turismo brasileiro faturou R 143,1 bilhões no primeiro semestre de 2026

O turismo brasileiro mostra resiliência, com projeções de crescimento de 4% até o final de 2026, apesar de desafios econômicos e juros elevados.

Dietze também destacou o crescimento do turismo doméstico, impulsionado, segundo ele, por uma mudança de comportamento dos brasileiros após a pandemia

No primeiro semestre de 2026, o turismo brasileiro alcançou um faturamento de R 143,1 bilhões, marcando o maior resultado para esse período em 15 anos. Os dados foram divulgados pela FecomercioSP e revelam um desempenho positivo do setor mesmo em meio a um cenário econômico desafiador.

Guilherme Dietze, membro do Conselho de Turismo da FecomercioSP, concedeu uma entrevista ao CNN Money, onde ressaltou que o turismo continua sendo um dos principais motores das viagens dos brasileiros. Ele observou que o crédito ainda facilitado contribui para que as famílias planejem suas férias e viagens ao longo do segundo semestre.

Crescimento do crédito impulsiona viagens

Dietze destacou que informações do Banco Central mostram que o crédito parcelado, uma modalidade bastante influente nas decisões de viagem dos brasileiros, cresce a mais de 10% ao ano. Mesmo com juros elevados, a disponibilidade de crédito tem ajudado as famílias a manterem seus planos de férias.

“Você se programa e mesmo com esse cenário de juros elevados, o crédito está bastante disponível e isso tem facilitado esse desempenho do turismo nacional”, afirmou Dietze. No entanto, ele observou que o crescimento foi mais acentuado no primeiro trimestre; já no segundo trimestre, houve uma variação mais modesta e uma queda no número de passageiros em junho em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

Ainda assim, houve uma alta de 3% no indicador RPK (passageiro por quilômetro transportado) e um aumento de 2% no número absoluto de passageiros.

Perspectivas para o futuro

Para o restante do ano, Dietze projetou um crescimento menor, mas ainda positivo. “Devemos fechar o ano em torno de 4% em relação ao passado, também atingindo o recorde histórico”, afirmou. Ele reconheceu que desafios como juros altos e inadimplência podem limitar uma expansão mais acelerada, mas descartou uma tendência negativa para o setor.

Em relação ao impacto do câmbio sobre o turismo internacional, Dietze avaliou que a estabilidade do dólar — entre R 5,10 e R 5,20 — não representa uma preocupação significativa. “O problema do câmbio não é nem o tamanho dele, é questão de não ter oscilação”, explicou.

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Essa estabilidade permite aos turistas planejar seus gastos com maior previsibilidade.

Crescimento do turismo doméstico

O membro da FecomercioSP também comentou sobre o crescimento do turismo interno. Segundo ele, essa tendência é impulsionada por mudanças no comportamento dos brasileiros após a pandemia. “As pessoas estão cada vez mais encontrando destinos aqui no Brasil, seja na praia ou na natureza, que possam atender seu bolso e proporcionar boas experiências”, disse.

Dietze mencionou ainda que a saturação turística em alguns destinos europeus pode beneficiar o Brasil nesse contexto. Quanto ao calendário eleitoral deste ano, ele afirmou que é esperado um impacto sobre o turismo corporativo. As empresas costumam reorganizar eventos e reuniões para novembro e a primeira quinzena de dezembro para evitar conflitos com as eleições em outubro.