Faraós controlavam o comércio do papiro, reservado sobretudo à nobreza e a usos oficiais
Inventado pelos egípcios por volta de 3000 aC., o papiro se tornou um dos materiais de escrita mais cobiçados da Antiguidade. Produzido com uma planta aquática que crescia às margens do rio Nilo, era tratado como artigo de luxo e seu comércio ficava sob controle dos faraós.
O material era vendido a peso de ouro para gregos e romanos. Antes de cadernos modernos e celulares, a folha de papiro servia para registrar textos religiosos e governamentais, além de hinos, manuais médicos e cartas da nobreza.
Papiro era um dos suportes mais cobiçados da Antiguidade
Planta também fornecia alimento e objetos do cotidiano
A Cyperus papyrus podia atingir cinco metros de altura e tinha diversos usos no Egito. As hastes eram aproveitadas para produzir alimentos, cortinas, tapetes e sandálias.
O vegetal também ocupava um lugar na religiosidade egípcia: simbolizava a eternidade e a vida após a morte. Já os matagais densos da planta eram associados às forças do caos. Os faraós organizavam caçadas nessas áreas para demonstrar poder e controle.
Gregos associaram o nome do papiro ao poder real
A palavra usada atualmente para nomear o material foi adotada pelos gregos a partir de papuro, termo relacionado ao poder real ou ao faraó. Eles perceberam que o cultivo e o comércio do papiro eram controlados pelos governantes egípcios.
No Egito, a planta tinha outros nomes, entre eles djet, wadj e tjufi. O controle da produção ajudava a manter o papiro como um produto restrito, reservado principalmente para usos oficiais e da nobreza.
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Folhas eram prensadas e unidas em rolos
Produzir uma superfície lisa para escrever exigia trabalhadores especializados. Primeiro, eles retiravam a casca verde da haste e cortavam o miolo do caule em tiras muito finas.
As tiras eram dispostas em uma camada vertical e cobertas por outra, colocada na horizontal. Depois, o conjunto era prensado e seco ao sol; as fibras se uniam naturalmente para formar a folha.
Para facilitar o transporte e o manuseio, artesãos emendavam vinte folhas em sequência e formavam rolos. Os exemplares mais elaborados podiam ter dezenas de metros de comprimento.
Como o papiro era caro, seu uso não era livre para todos. Os escribas egípcios passavam anos treinando em superfícies de pedra e madeira antes de receber autorização para escrever na folha.
Com a chegada da Idade Média, o papiro perdeu espaço para o pergaminho, feito de pele animal. Mais resistente e durável, o novo suporte também permitia raspar um texto antigo e escrever novamente por cima.
Editoria:
Redação Variedades
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