Famílias do Assentamento Irmã Dorothy Awaitam Luz e Novas Oportunidades

Famílias do Assentamento Irmã Dorothy celebram esperança com energia solar! Após luta de 20 anos, projeto transformará realidade de 15 famílias em Quatis, RJ.

Famílias do Assentamento Irmã Dorothy Awaitam Luz e Novas Possibilidades

Após duas décadas lutando por seus direitos, as famílias do Assentamento Irmã Dorothy, localizado em Quatis, no sul do Rio de Janeiro, agora esperam ansiosamente por uma transformação. A comunidade, que abriga 45 famílias, ainda enfrenta a falta de energia elétrica em grande parte do território, mas uma iniciativa conjunta entre universidades e movimentos sociais promete mudar a realidade de 15 dessas famílias.

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O projeto consiste na distribuição de kits de energia solar, que permitirão o uso de eletrodomésticos como geladeiras e máquinas de lavar. Além disso, a instalação desses kits abrirá caminho para uma melhor comunicação entre os agricultores e o mundo exterior, algo que antes era impossível devido à ausência de energia para carregar celulares ou acessar a internet.

Parceria Estratégica para Desenvolvimento Sustentável

A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o programa Tecnologia e Gestão em Agroecologia e Assentamentos da Reforma Agrária (Tangará), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Técnicos da UFRJ realizarão uma avaliação das casas no assentamento Irmã Dorothy em maio de 2026, adaptando-as para a instalação dos sistemas solares.

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O projeto também inclui a formação de técnicos na própria comunidade, garantindo a manutenção dos equipamentos.

A parceria se estende à instalação de uma usina de energia solar no Assentamento Roseli Nunes, também no sul do estado do Rio de Janeiro. Edineia Pinto, de 49 anos, residente no Irmã Dorothy desde 2014, será uma das beneficiárias do projeto. Mãe de uma pessoa com deficiência, ela destaca a importância da iniciativa para a comunicação com sua família e para superar as dificuldades de acesso à energia em áreas remotas.

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Novas Perspectivas para a Produção Agrícola

“Vai mudar muita coisa”, celebra Edineia. “Vamos poder nos comunicar com nossas famílias. Muitos assentados precisam andar mais de 40 minutos para chegar à cidade ou ao local mais próximo com energia para carregar o celular e manter contato com outras pessoas”.

A agricultora, que produz licor de jenipapo, milho e cria galinhas, também destaca a importância dos kits para irrigar seus quintais produtivos, utilizando uma bomba d’água.

Apoio à Reforma Agrária e Denúncia da Violência no Campo

A ação se insere no contexto da Jura, um evento que surgiu em 2013 e que realiza atividades em todo o país, com o objetivo de ampliar o debate em defesa da reforma agrária e denunciar a violência no campo. Eró Silva, da coordenação nacional do MST, ressalta que a Jura busca sensibilizar o meio acadêmico sobre a questão da reforma agrária, especialmente em referência ao Massacre de Eldorado dos Carajás.

Encontro de Tecnologias e Saberes em Agroecologia

O Programa Tangará da UFRJ organiza o 1º Encontro de Tecnologias e Saberes em Agroecologia e Reforma Agrária, que acontecerá entre os dias 5 e 7 de maio. O evento, gratuito, inclui oficinas de formação técnica, debates e uma feira agroecológica com camponeses do Rio de Janeiro.

A programação está localizada no Centro de Tecnologia da Universidade, na Ilha do Governador.

Este ano, o tema da Jornada é “Basta de Violência contra os Povos e a Natureza!”, em referência aos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, quando 21 camponeses foram assassinados pela Polícia Militar do Pará.