Falso-voador-marrom sente gosto com as “pernas” e acha presas enterradas na areia sem usar a visão

Receptores gustativos T1R2 e T1R3 nos seis apêndices da Prionotus carolinus unem locomoção e paladar para localizar presas escondidas sob o sedimento marinho.

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O peixe sea robin utiliza nadadeiras peitorais modificadas para caminhar pelo fundo do mar | Foto: Reprodução/Catraca Livre
O peixe sea robin utiliza nadadeiras peitorais modificadas para ...
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Um peixe marinho chamado sea robin, conhecido no Brasil como falso-voador-marrom, usa apêndices especializados para caminhar pelo fundo do mar e encontrar alimento escondido na areia. Essas estruturas funcionam como órgãos de paladar, e é isso que permite ao animal localizar presas enterradas sem depender da visão.

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O mecanismo chama atenção porque combina locomoção e percepção química. Para quem estuda a fauna marinha, a descoberta mostra que uma mesma parte do corpo pode cumprir funções muito diferentes.

Como o peixe anda pelo fundo do mar

A espécie é a Prionotus carolinus, e seus membros de locomoção nasceram de nadadeiras peitorais modificadas. São seis estruturas locomotoras que se comportam como pernas, com passos contínuos e firmes sobre o substrato.

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Esse tipo de caminhada dá estabilidade em terrenos arenosos e instáveis, sem a necessidade de movimentos bruscos de nado. O animal avança devagar, à procura de presas vivas.

Ao andar com suavidade, o peixe evita levantar sedimentos que poderiam denunciar sua presença a outras presas por perto. O resultado é um deslocamento que une equilíbrio mecânico e exploração cuidadosa do fundo.

Papilas e receptores gustativos nos membros

Além de sustentar o movimento, cada um dos seis apêndices tem papilas sensoriais na superfície externa. Essas pequenas elevações concentram células capazes de fazer quimiorrecepção apurada, o que transforma cada membro em uma ferramenta que reúne tato e sensibilidade química.

Pesquisadores identificaram nessas estruturas receptores gustativos chamados T1R2 e T1R3. Na prática, eles funcionam como os sensores da boca: analisam compostos dissolvidos e permitem ao peixe sentir gosto ao tocar as partículas que cobrem o assoalho marinho.

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Como os apêndices encontram presas enterradas

Muitas presas marinhas ficam sob camadas grossas de sedimento para escapar de predadores que caçam pela visão. O peixe contorna esse esconderijo tateando os grãos de areia e captando traços quase imperceptíveis de aminoácidos e outras moléculas liberadas por mexilhões ocultos no substrato.

Quando identifica essas pistas químicas, o membro aponta o local exato do alimento, mesmo na escuridão do fundo. A informação orienta escavações certeiras feitas com a boca, o que evita gasto desnecessário de energia durante a alimentação.

Testes em laboratório confirmam a detecção química

Pesquisadores vinculados à Universidade Harvard e à Universidade Stanford fizeram testes controlados para investigar o comportamento sensorial da espécie. Os animais foram colocados diante de mexilhões enterrados e de cápsulas vedadas com soluções químicas, e reagiram de forma consistente à busca de nutrientes essenciais.

Os resultados foram publicados em 2024 na revista Current Biology. Segundo o estudo, os peixes encontraram os alvos sem qualquer pista visual, e a precisão ao cavar sobre as cápsulas com extratos alimentares indicou que os apêndices atuam como órgãos autônomos de detecção química.

Entre as evidências obtidas nos testes estão a localização precisa de mexilhões enterrados sem auxílio da visão e a identificação imediata de cápsulas com soluções de aminoácidos. Os pesquisadores também registraram papilas com receptores gustativos funcionais nas extremidades dos apêndices.

Impacto evolutivo para os vertebrados aquáticos

Para os cientistas, a transformação de nadadeiras peitorais em membros ambulatórios com sensores químicos é um marco evolutivo nos vertebrados aquáticos. Essa inovação permitiu à espécie explorar nichos profundos e arenosos e alcançar recursos alimentares que competidores dependentes apenas da visão não conseguem acessar.

O caso também ajuda a entender como estruturas anatômicas podem ganhar novas funções sensoriais. Ao mostrar que locomoção e paladar podem convergir no mesmo órgão, o peixe amplia o conhecimento sobre a plasticidade e a evolução animal.

A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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