Exportações de algodão na Bahia disparam 1.350%; produtores enfrentam novos desafios financeiros

O aumento expressivo nas exportações de algodão na Bahia traz à tona novos desafios financeiros para os produtores. Como eles estão lidando com essa pressão?

13/06/2026 13:26

4 min

Exportações de algodão na Bahia disparam 1.350%; produtores enfrentam novos desafios financeiros
(Imagem de reprodução da internet).

O crescimento das exportações de algodão no Oeste da Bahia

Em um período de apenas três safras, o volume de escoamento do algodão produzido no Oeste da Bahia aumentou 14,5 vezes. As exportações da fibra pelo Tecon Salvador, terminal de contêineres do Porto de Salvador, saltaram de 545 contêineres na safra 2022/23 para impressionantes 7.914 contêineres na safra 2025/2026, resultando em um crescimento superior a 1.350%.

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Bangladesh, com 2.315 contêineres, e China, com 1.240, estão na liderança na demanda pelo algodão baiano, que abastece os mais exigentes parques têxteis do mundo.

Os dados refletem a realidade no campo. Na safra 2025/2026, o estado cultivou 417,9 mil hectares da cultura, consolidando-se como o segundo maior produtor de algodão do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso. Esse avanço é crucial para que o país mantenha sua posição de destaque no fornecimento global da fibra.

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Contudo, o sucesso também traz desafios significativos: quanto maior o volume exportado, mais a sustentabilidade financeira do negócio depende do controle rigoroso dos custos de produção.

Desafios enfrentados pelos produtores

Sérgio Pitt, produtor de algodão na região, destaca as dificuldades que o setor enfrenta. Apesar do manejo de solo, da biotecnologia e das condições climáticas favoráveis do Oeste baiano, que incluem chuvas durante o crescimento e estiagem rigorosa na colheita, a rentabilidade tem sido afetada antes mesmo de os lucros chegarem às fazendas. “Os custos estão consumindo os ganhos de produtividade.

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O que mais impacta atualmente são as taxas de juros, os impostos e os fertilizantes. A logística também se tornou um fator relevante, com o aumento dos preços dos combustíveis elevando os custos de frete”, explicou Pitt.

Nos últimos dois anos, a pressão sobre os fertilizantes aumentou, especialmente devido à alta dependência externa, que em alguns casos ultrapassa 90%. As tensões geopolíticas internacionais nos últimos três anos encareceram o fornecimento de macronutrientes essenciais, afetando diretamente o planejamento da safra de uma cultura que demanda muitos insumos químicos.

O cenário econômico interno também compromete as margens no campo, com a taxa básica de juros do país em 14,5%.

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Logística e reforma tributária como preocupações

A logística é outro ponto crítico. Embora o volume exportado tenha crescido 14 vezes, a infraestrutura de transporte não acompanhou esse aumento. O escoamento depende de operadoras retroportuárias, como Wilson Sons, 3ALOG e TPC, que têm uma capacidade de estufagem de 167 contêineres por dia. “O aumento dos custos é resultado das taxas de juros, impostos e da logística, que foi impactada pelo aumento dos combustíveis”, afirmou Pitt.

A Reforma Tributária é uma preocupação imediata para os produtores. A implementação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) gera incertezas sobre a competitividade do setor no mercado externo, especialmente em relação a países que subsidiam seus produtores. “Com a reforma, vamos manter os três impostos que já existem e incluir a CBS, com uma alíquota de até 11%.

Isso significa que enfrentaremos uma tributação adicional a partir do próximo ano”, alertou Pitt.

Investimentos em qualidade e eficiência energética

Para manter a competitividade no mercado internacional, o setor precisa investir na qualidade do algodão. A Abapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão) inaugurou a expansão do seu Centro de Análise de Fibras em Luís Eduardo Magalhães, considerado o maior laboratório da América Latina para classificação da pluma.

Com investimentos acumulados de R$ 120 milhões, a capacidade de processamento aumentou de 34 mil para até 70 mil amostras analisadas por dia, com a expectativa de atingir 5 milhões de amostras nesta safra.

A energia elétrica também se tornou uma variável estratégica para reduzir custos. A Neoenergia está focando na cadeia produtiva do algodão no Oeste baiano, oferecendo acesso ao Mercado Livre de Energia, onde os consumidores podem negociar diretamente com fornecedores.

A migração para esse mercado pode resultar em uma redução de custos de até 30% para os produtores que já realizaram a mudança.

Sustentabilidade e rastreabilidade como diferenciais

A sustentabilidade está se tornando um ativo comercial importante nas negociações internacionais. A energia fornecida pela Neoenergia é gerada a partir de fontes renováveis, e a certificação internacional de origem (I-REC) permite que os produtores comprovem a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Em um cenário global onde a rastreabilidade socioambiental é cada vez mais valorizada, garantir que o algodão baiano seja produzido com energia limpa se torna um forte argumento de venda.

A área plantada no Oeste baiano tem potencial para dobrar nos próximos anos, impulsionada por práticas de manejo que protegem as lavouras dos riscos climáticos. “Temos aprendido muito sobre manejo e estruturação do solo, o que nos permite mitigar questões climáticas e garantir produtividades mais satisfatórias, equilibrando o aumento dos custos”, concluiu Sérgio Pitt.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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