Ex-atleta olímpico Freddie Woodward revela vício em pornografia: “Me destruiu”

Após o vazamento de um conteúdo íntimo em 2017, o britânico levou seis anos para interromper o consumo e hoje afirma estar há dois anos livre.

02/09/2026 10:01

4 min

Freddie Woodward revelou vício em pornografia e agora quer ajudar outros que passam pelo mesmo
Freddie Woodward revelou vício em pornografia e agora quer ajuda...

Freddie Woodward, ex – atleta de saltos ornamentais, contou à CNN como o consumo de pornografia começou na adolescência, acompanhou sua formação esportiva e se transformou em um comportamento compulsivo. Depois de competir nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, ele enfrentou o vazamento de um conteúdo íntimo em 2017 e levou seis anos até conseguir interromper o consumo.

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Hoje, está há dois anos livre.

A relação com a pornografia começou de maneira comum para muitos jovens: primeiro, por meio de revistas adultas e materiais compartilhados entre amigos. Mais tarde, Woodward passou a acessar vídeos online, atraído pela recompensa rápida proporcionada pelo conteúdo.

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Durante muito tempo, porém, ele não reconheceu que aquele hábito estava se tornando um problema.

Do mergulho à equipe olímpica

Woodward foi identificado ainda na escola como um possível talento esportivo. O mergulho passou a ocupar quase toda a sua rotina, com treinos quatro, cinco ou seis dias por semana. “Sempre digo que o mergulho me encontrou, não fui eu que encontrei o mergulho”, disse à CNN.

O britânico cresceu em uma geração de ouro dos mergulhadores britânicos e não acreditava que conseguiria chegar à equipe olímpica. Ainda assim, a dedicação e uma rotina de trabalho intensa garantiram a ele a última vaga no Team GB em 2016. Na competição, terminou em 19º lugar na prova de salto do trampolim.

Enquanto avançava no esporte, Woodward também ampliava o consumo de pornografia. O hábito se tornou quase diário, mas não o impedia de sair, namorar ou manter uma vida social. O incômodo apareceu quando ele percebeu que perdia produtividade ao tentar estudar para as provas.

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O vazamento e o início da recuperação

Na adolescência, Woodward chegou a pesquisar se o vício em pornografia existia. Ao encontrar um artigo que apontava mais de 10 horas diárias como possível sinal de problema, concluiu que seu próprio consumo não era grave. Com o tempo, porém, passou a trocar conteúdos produzidos por ele por fotos e vídeos de outras pessoas.

Em 2017, um ano depois de disputar os Jogos Olímpicos, um conteúdo de Woodward vazou na internet. “Foi um dos piores momentos da minha vida. Realmente me destruiu”, afirmou. O episódio o obrigou a encarar o próprio comportamento, mas, mesmo tentando parar, ele não conseguia abandonar a pornografia.

Depois de deixar o esporte profissional, Woodward trabalhou em uma empresa de cruzeiros, realizando acrobacias de saltos ornamentais em navios pelo Caribe. O afastamento da antiga rotina, além de leituras sobre o tema e meditação diária, ajudou no processo.

Foram seis anos de tentativas até que ele conseguisse parar.

Atletas podem ser mais vulneráveis?

Vários atletas procuraram Woodward depois que ele falou publicamente sobre sua experiência. Ele afirma, no entanto, que a amostra é pequena demais para indicar uma conclusão objetiva. Outros esportistas já relataram dificuldades semelhantes, entre eles o ex – punter da NFL Steve Weatherford, o ex – astro da NFL e o corredor neozelandês Nick Willis.

Para Woodward, a mentalidade exigida pelo alto rendimento pode contribuir para o problema. A cobrança, a culpa e a sensação de fracasso fariam da pornografia uma espécie de fuga depois de treinos ou competições ruins. “É a fuga, é a constante que está sempre lá para você, que não vai te desafiar”, afirmou.

A Organização Mundial da Saúde não reconhece oficialmente o uso de pornografia como um vício. O comportamento é enquadrado sob o Transtorno de Comportamento Sexual Compulsivo. Paula Hall, psicoterapeuta sexual e de relacionamentos, explicou à CNN que o principal sinal é o impacto negativo na vida, nos relacionamentos, no trabalho ou na autoestima.

Hall afirma que atletas adolescentes podem considerar a pornografia uma forma aparentemente inofensiva de relaxar, especialmente por evitarem álcool, drogas ou cigarro para preservar o desempenho. Viagens frequentes, quartos de hotel e períodos de solidão também podem influenciar, embora ainda não existam pesquisas suficientes para provar uma relação direta entre esporte e vício em pornografia.

Woodward diz ter percebido prejuízos na confiança, no foco, na maturidade, no controle emocional e na paciência. Atualmente, atua como embaixador da conscientização sobre o tema e recebe mensagens de pessoas que reavaliaram a própria relação com a pornografia depois de conhecer sua história.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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