Everblue propõe fundo que antecipa pagamento a fornecedores e dá à compradora parte do resultado
A Everblue, empresa especializada em crédito corporativo e na estruturação de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), pretende viabilizar R$ 10 bilhões em financiamento para a indústria nos próximos três anos. A aposta principal é um conjunto de fundos que antecipam pagamentos a fornecedores e permitem às compradoras participar do resultado dessas operações.
A companhia informa ter R$ 200 milhões em FIDCs exclusivos e quer chegar a R$ 800 milhões até o fim de 2027. O grupo afirma já ter realizado mais de 10 mil operações de crédito, que somam R$ 4,6 bilhões, desde a sua fundação, em 2019.
Como o fundo ligado à cadeia de fornecedores funciona
O modelo busca espaço no financiamento do capital de giro, necessidade recorrente de empresas que precisam pagar fornecedores antes de receber dos clientes. A proposta parte das relações comerciais de uma indústria ou distribuidora para organizar a operação de crédito.
Na prática, um fornecedor vende a prazo, mas precisa do dinheiro antes do vencimento. Em vez de procurar uma linha de crédito por conta própria, ele antecipa o recebimento pelo fundo ligado à cadeia da compradora. O FIDC adquire o recebível com desconto, paga ao fornecedor e cobra da empresa compradora na data combinada.
O que a compradora ganha com a estrutura
Para a compradora, o interesse vai além de dar liquidez aos fornecedores. A estrutura pode abrir caminho para negociar prazos maiores de pagamento e, a depender de sua participação no fundo, receber uma parcela do resultado das antecipações.
O ganho, porém, depende dos custos de captação e operação, da inadimplência e das condições acertadas entre as partes. “A tendência é que cada vez mais companhias entendam que sua operação comercial também pode ser uma plataforma financeira”, diz Gabriel Padula, CEO da Everblue.
Quanto a negociação de prazos pode liberar no caixa
Uma simulação da Everblue mostra como a negociação de prazos mexe com o caixa. No exemplo, uma indústria fatura R$ 500 milhões por ano, recebe dos clientes em 75 dias e quita os fornecedores em 30 dias.
Com compras anuais de R$ 375 milhões, essa empresa teria de bancar um descasamento de 45 dias, algo em torno de R$ 46,9 milhões. Ao esticar o pagamento aos fornecedores para 45 dias, a necessidade recuaria para R$ 31,25 milhões, ou seja, R$ 15,6 milhões a menos.
Considerando um custo de financiamento de 2,3% ao mês, a Everblue estima uma economia de R$ 4,3 milhões por ano. A própria companhia classifica o exemplo como cenário hipotético, já que o benefício depende de conseguir renegociar os prazos e das condições de financiamento de cada empresa.
Expansão começa pelo Sul com R$ 270 milhões
A expansão dos fundos acompanha um plano de crescimento regional. A Everblue pretende destinar cerca de R$ 270 milhões em crédito ao primeiro ciclo da estratégia, que começa pela região Sul.
O projeto prevê a contratação de executivos, o reforço da diretoria comercial e a ampliação da busca por clientes. Como sinal de demanda, a empresa cita um levantamento da própria operação: nos últimos 24 meses, o volume de crédito solicitado por empresas cresceu mais de 40%, enquanto o número de propostas recebidas subiu 30%.
Para Padula, “o mercado já entendeu que existe demanda por crédito, mas o crescimento sustentável dependerá de lastro verificável, dados operacionais confiáveis, governança na originação e disciplina na gestão de risco”.
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