EUA Denunciam Falhas no Combate ao Trabalho Forçado no Brasil em Relatório Urgente

EUA acusa Brasil de falhas no combate ao trabalho forçado em relatório urgente. Tarifa sobre produtos brasileiros pode ser aplicada

12/06/2026 10:55

3 min

EUA Denunciam Falhas no Combate ao Trabalho Forçado no Brasil em Relatório Urgente
(Imagem de reprodução da internet).

EUA Citam Falhas no Combate ao Trabalho Forçado em Relatório sobre o Brasil

O governo dos Estados Unidos utilizou um relatório para justificar a imposição de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados de diversos países, incluindo o Brasil, a União Europeia e outros 57. O documento, divulgado pelo USTR (Representante Comercial dos EUA) na terça-feira, 2 de junho de 2026, investiga falhas na prevenção da entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

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A investigação se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA aplicar sanções comerciais contra práticas consideradas prejudiciais ao mercado americano.

Investigação e Consulta Pública

O USTR iniciou a investigação com o objetivo de identificar países que não estão cumprindo as regulamentações internacionais de combate ao trabalho forçado. A proposta ainda passará por uma fase de consulta pública, buscando coletar opiniões e argumentos de diferentes partes interessadas.

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O documento completo, em formato PDF de 4MB, está disponível para consulta.

Brasil Entre os Países Investigados

A primeira menção ao Brasil no relatório aparece na lista de 60 economias investigadas. Segundo o USTR, esses países e blocos representam 99,40% das importações dos EUA. O governo brasileiro participou de consultas confidenciais com autoridades norte-americanas após o início da investigação, juntamente com 46 outras economias.

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Críticas ao Brasil e à Carne Bovina Congelada

O relatório aponta que o Brasil não impõe e não fiscaliza efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Essa falha é considerada “irrazoável” pelos EUA, pois permite que empresas com práticas de trabalho forçado tenham custos menores e reduz a rentabilidade de empresas que não utilizam essa prática.

A principal crítica se concentra na indústria da carne bovina congelada, com o USTR citando registros de trabalho forçado na produção de gado e referenciando a lista TVPRA (Lei de Reautorização da Proteção às Vítimas de Tráfico). Entre 2015 e 2025, o volume de carne bovina congelada exportada pelo Brasil para as economias investigadas quase dobrou, enquanto as exportações dos EUA cresceram apenas 21%.

Dados de Importação e Preços

O relatório destaca um aumento significativo das exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China, que passou de 94.000 toneladas em 2015 para quase 1,65 milhão de toneladas em 2025, representando uma participação de 53% nas importações chinesas do produto, em comparação com 38% em 2021.

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O preço médio da carne brasileira importada para a China foi de US$ 2,40 em 2025, 41% abaixo do preço do produto americano, que atingiu US$ 4,20. Apesar de reconhecer que nem toda carne brasileira exportada foi necessariamente produzida com trabalho forçado, o USTR aponta a prevalência do problema na pecuária como um indicativo de que parte das vendas pode ter essa origem, especialmente devido à prática da “lavagem de gado”.

O USTR conclui que, com uma proibição efetiva à importação de carne brasileira produzida com trabalho forçado, os EUA provavelmente venderiam mais carne bovina à China. Em outra ação, na terça-feira, 2 de junho de 2026, os EUA também impuseram tarifas sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil, incluindo Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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