EUA Denunciam Falhas no Combate ao Trabalho Forçado no Brasil em Relatório Urgente

EUA Citam Falhas no Combate ao Trabalho Forçado em Relatório sobre o Brasil
O governo dos Estados Unidos utilizou um relatório para justificar a imposição de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados de diversos países, incluindo o Brasil, a União Europeia e outros 57. O documento, divulgado pelo USTR (Representante Comercial dos EUA) na terça-feira, 2 de junho de 2026, investiga falhas na prevenção da entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
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A investigação se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA aplicar sanções comerciais contra práticas consideradas prejudiciais ao mercado americano.
Investigação e Consulta Pública
O USTR iniciou a investigação com o objetivo de identificar países que não estão cumprindo as regulamentações internacionais de combate ao trabalho forçado. A proposta ainda passará por uma fase de consulta pública, buscando coletar opiniões e argumentos de diferentes partes interessadas.
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O documento completo, em formato PDF de 4MB, está disponível para consulta.
Brasil Entre os Países Investigados
A primeira menção ao Brasil no relatório aparece na lista de 60 economias investigadas. Segundo o USTR, esses países e blocos representam 99,40% das importações dos EUA. O governo brasileiro participou de consultas confidenciais com autoridades norte-americanas após o início da investigação, juntamente com 46 outras economias.
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Críticas ao Brasil e à Carne Bovina Congelada
O relatório aponta que o Brasil não impõe e não fiscaliza efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Essa falha é considerada “irrazoável” pelos EUA, pois permite que empresas com práticas de trabalho forçado tenham custos menores e reduz a rentabilidade de empresas que não utilizam essa prática.
A principal crítica se concentra na indústria da carne bovina congelada, com o USTR citando registros de trabalho forçado na produção de gado e referenciando a lista TVPRA (Lei de Reautorização da Proteção às Vítimas de Tráfico). Entre 2015 e 2025, o volume de carne bovina congelada exportada pelo Brasil para as economias investigadas quase dobrou, enquanto as exportações dos EUA cresceram apenas 21%.
Dados de Importação e Preços
O relatório destaca um aumento significativo das exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China, que passou de 94.000 toneladas em 2015 para quase 1,65 milhão de toneladas em 2025, representando uma participação de 53% nas importações chinesas do produto, em comparação com 38% em 2021.
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O preço médio da carne brasileira importada para a China foi de US$ 2,40 em 2025, 41% abaixo do preço do produto americano, que atingiu US$ 4,20. Apesar de reconhecer que nem toda carne brasileira exportada foi necessariamente produzida com trabalho forçado, o USTR aponta a prevalência do problema na pecuária como um indicativo de que parte das vendas pode ter essa origem, especialmente devido à prática da “lavagem de gado”.
O USTR conclui que, com uma proibição efetiva à importação de carne brasileira produzida com trabalho forçado, os EUA provavelmente venderiam mais carne bovina à China. Em outra ação, na terça-feira, 2 de junho de 2026, os EUA também impuseram tarifas sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil, incluindo Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



