EUA confirmam ter armas em órbita; entenda como funcionam ataques espaciais
O Pentágono reconhece pela primeira vez capacidade militar em órbita, com arsenal dividido em quatro categorias de armas de contraespaço.
O secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Frank Kendall, confirmou nesta segunda – feira (14) que o país já tem armas posicionadas no espaço. O anúncio foi feito durante a Air, Space and Cyber Conference, em National Harbor, Maryland, e marca o primeiro reconhecimento público oficial de capacidades militares em órbita por parte do Pentágono.
Kendall não entrou em detalhes sobre o arsenal. Quando questionado, recusou – se a dar informações adicionais sobre os equipamentos ou sobre quando eles foram colocados em órbita. “Hoje continuamos a garantir que permanecemos prontos para enfrentar os desafios das ameaças em evolução onde quer que existam”, disse o secretário. “É por isso que os Estados Unidos agora possuem armas de controle espacial em órbita, capazes de defender a força conjunta contra ações hostis de adversários.”
As quatro categorias de armas de contraespaço
Embora o Pentágono não tenha divulgado as especificações das novas armas, análises do CSIS (Center for Strategic and International Studies) apontam que existem quatro categorias principais de tecnologias ASAT (arma de contraespaço) já conhecidas: físicas cinéticas, físicas não cinéticas, eletrônicas e cibernéticas.
As armas físicas cinéticas são as mais conhecidas e visualmente impactantes. Elas incluem os mísseis de ascensão direta (Direct – Ascent), disparados da Terra a partir de bases, navios ou caças. A destruição do alvo depende da energia cinética do impacto a velocidades orbitais de aproximadamente 28.000 kmh, sem uso de explosivos.
Um dos problemas desse método é a criação de lixo orbital. Há também os satélites interceptadores co – orbitais, que funcionam como “minas espaciais” e podem usar braços robóticos para agarrar ou desviar satélites adversários. Já os ataques a estações terrestres miram as antenas e centros de comando em solo com armamento convencional, sabotagem de rede elétrica ou de dados.
No campo das armas físicas não cinéticas, o alvo é danificado sem contato mecânico direto. Lasers de alta potência podem cegar permanentemente a óptica de satélites espiões ou derreter painéis solares. Micro – ondas de alta potência (HPM) emitem pulsos de radiofrequência que “fritam” os circuitos eletrônicos internos.
Já um pulso eletromagnético nuclear (EMP), gerado pela detonação de uma ogiva nuclear em alta altitude, pode queimar instantaneamente a eletrônica de satélites em um grande raio espacial.
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Ameaças eletrônicas e cibernéticas em órbita
Os ataques eletrônicos, por sua vez, não destroem o hardware. Eles neutralizam a transmissão e recebimento de dados por meio de frequências de rádio, sendo temporários e reversíveis. O jamming (interferência de sinal) ocorre quando um transmissor emite ruído na mesma frequência do satélite, “ensurdecendo” o receptor.
Já o spoofing (falsificação de sinal) permite que um atacante imite um sinal autêntico para enganar receptores ou até assumir o controle do satélite.
Os ataques cibernéticos miram os próprios dados e sistemas. Eles podem envolver a interceptação e monitoramento de canais não criptografados, a corrupção silenciosa de informações para induzir operadores ao erro ou a apropriação de controle por invasão hacker dos sistemas de comando.
Se um invasor disparar propulsores para colidir ou queimar o satélite na atmosfera, o dano se torna irreversível.
O presidente Donald Trump, que criou a US Space Force em 2019 como parte da Força Aérea, tem exaltado a iniciativa como um passo histórico. Conforme a CNN noticiou em 2024, informações de inteligência dos EUA sugerem que a Rússia também desenvolve uma arma que utilizaria um pulso eletromagnético para neutralizar uma grande parcela de satélites comerciais e governamentais — alegação que Moscou nega.
Uma arma desse tipo poderia comprometer sistemas de previsão do tempo, resposta a desastres e navegação global usados em operações bancárias, transporte de cargas e despacho de ambulâncias.