Estudo sugere que Meretneith governou o Egito há mais de 3 mil anos, antes de Cleópatra
Estudo reavalia selos reais e tumbas para defender que Meretneith exerceu poder político na Primeira Dinastia.
Uma nova pesquisa acadêmica reacende o debate sobre o poder feminino no Egito Antigo, séculos antes de Cleópatra. Publicado na revista Prague Egyptological Studies, o estudo de Sue Kelly e Crystal Miller sugere que Meretneith, uma figura real que viveu há mais de 3 mil anos, pode ter governado o Egito por um breve período.
A pesquisa revisita evidências arqueológicas descobertas ainda na década de 1940. Na época, o egiptólogo britânico William Matthew Flinders Petrie escavou uma tumba na região de Abidos que trazia registros epigráficos de um nome real com terminação feminina.
Anos depois, o arqueólogo Walter B. Emery encontrou novas pistas sobre Meretneith em uma tumba na necrópole de Saqqara.
O que dizem os selos reais
Entre os achados de Emery, estavam impressões de selos que mostravam os traços de um governante adicional ao lado da identificação de Djer, um dos regentes da Primeira Dinastia. Djer é apontado como possível pai de Meretneith. Para os pesquisadores, essa associação é a chave para entender o papel político dela.
O artigo de Kelly e Miller analisa diferentes interpretações desses selos. O estudioso Peter Schulze sugeriu que a disposição de Meretneith ao lado de Djer indicaria que ela iniciou a carreira política como princesa herdeira. Já Jean – Pierre Pätznick vai além: além de apoiar essa tese, ele defende que Meretneith pode ter compartilhado o poder com o pai durante uma corregência.
Na época, também surgiram evidências ligando Meretneith ao título de “mãe do rei”. A informação ajudou a esclarecer uma impressão de selo da necrópole recuperada na tumba de seu filho, Den. Isso reforça a ideia de que ela ocupava uma posição central na corte.
Influência política além do título
O debate sobre a real posição de Meretneith ainda não terminou entre os especialistas. Mas as novas descobertas classificam a antiga integrante da realeza como alguém que, possivelmente, teve forte influência política no Egito antigo — um papel que, por muito tempo, foi ofuscado pela fama de Cleópatra.
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Para as autoras do estudo, o caso de Meretneith mostra que o poder feminino no Egito não foi uma exceção tardia, mas uma realidade que pode ter surgido já nos primórdios da dinastia. A pesquisa promete alimentar ainda mais as discussões sobre o lugar das mulheres na liderança do mundo antigo.