Estudo revela que aquecimento acelerado pode colapsar a Circulação do Atlântico com apenas +2 °C

A pesquisa alerta que a Circulação Meridional do Atlântico pode colapsar até 2060 se o aquecimento global atingir +2,5 °C devido ao aumento acelerado de CO₂.

Furacão Erin passa pelo Oceano Atlântico

Uma nova pesquisa divulgada na revista Nature Climate Change aponta que a velocidade do aquecimento global é o fator determinante para o colapso da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), uma das principais responsáveis pela regulação do clima no planeta.

O estudo, realizado por cientistas da Universidade de Utrecht, na Holanda, indica que esse sistema de correntes pode entrar em colapso em níveis de aquecimento muito inferiores ao anteriormente estimado, caso as emissões de gases de efeito estufa continuem a aumentar rapidamente.

Tradicionalmente, acreditava – se que a circulação do Atlântico poderia desmoronar em torno de +4,0 °C de aquecimento global. No entanto, os pesquisadores mostraram que esse limite fixo não é o principal fator para a estabilidade do sistema. Por meio de simulações com modelos climáticos complexos, os autores analisaram diferentes ritmos de acúmulo de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera.

Diferenciação entre aquecimento rápido e lento

Os resultados da pesquisa revelaram que, sob um aumento acelerado dos níveis de CO₂, a circulação pode entrar em colapso com um aumento médio da temperatura global de cerca de +2,0 °C. Em contraste, se o aumento for gradual, mesmo um aquecimento extremo de até +5,5 °C não comprometeria a circulação.

Essa diferença ocorre porque um aquecimento mais lento permite que as propriedades das águas superficiais e profundas se ajustem adequadamente, garantindo a estabilidade do fluxo oceânico.

A taxa atual registrada de aumento do CO₂ na atmosfera é aproximadamente +2,6 ppm por ano. Isso levanta preocupações sobre o impacto potencial das emissões rápidas nas correntes oceânicas.

Projeções e riscos futuros

O estudo também apresenta previsões baseadas em modelos climáticos contemporâneos e indicadores físicos relevantes. Estima – se que a circulação do Atlântico possa sofrer interrupções por volta do ano 2060, quando o aquecimento global alcançar +2,5 °C.

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Esta projeção considera uma taxa crítica de aquecimento de +0,29 °C por década — compatível com as taxas projetadas para os próximos anos entre +0,27 °C e +0,36 °C por década.

O colapso da AMOC está ligado a mudanças na densidade da água no Atlântico Norte. Quando a temperatura aumenta rapidamente, a água superficial aquece mais rápido que as camadas mais profundas do oceano. Isso bloqueia os canais naturais onde a água fria e salgada deveria afundar, sustentando assim o fluxo das correntes.

O enfraquecimento da circulação ativa um mecanismo desestabilizador conhecido como retorno de advecção de sal (salt – advection feedback), resultando em acúmulo de água doce no norte do Atlântico. Esse fenômeno reduz a salinidade e impede que a densidade da água se recupere para reativar as correntes.

Diante desses achados alarmantes, os pesquisadores ressaltam que reduzir imediatamente as emissões de gases de efeito estufa é fundamental para mitigar os riscos associados à interrupção desse importante sistema regulador climático.